Tamara Klink recua e pede desculpas após orientar público a não comprar seu próprio livro
Navegadora havia citado impactos ambientais para desencorajar o consumo, mas reconheceu que ignorou a cadeia que sustenta o mercado editorial

A escritora e navegadora Tamara Klink utilizou suas redes sociais neste domingo (9) para se retratar publicamente após ter pedido aos leitores que não comprassem seu livro "Bom Dia, Inverno". Em uma nova publicação, ela reconheceu que sua declaração anterior falhou ao não considerar o impacto econômico e a sobrevivência de toda a cadeia do mercado editorial. "Errei em não ver outros pontos de vista. Precisamos da leitura. Precisamos de autores. Pequenos, grandes e independentes", justificou a autora em seu perfil.
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Tamara ressaltou que, antes de ser escritora, é consumidora de literatura e admitiu não ter levado em conta as engrenagens financeiras e humanas que mantêm a estrutura do setor em funcionamento. Segundo ela, a mudança de postura ocorreu após ouvir profissionais e defensores da área. "Sou leitora antes de ser autora e não levei em conta toda a cadeia que alimenta as editoras. Nesses dois dias soube de muita gente defendendo os livros, as editoras, os autores, as vendas, as bibliotecas, as livrarias, os sebos", acrescentou a navegadora.
A polêmica teve início na última sexta-feira (7), quando a escritora gravou um vídeo desincentivando a aquisição de novos exemplares de sua obra, que figura entre as mais vendidas do país há três meses. Na ocasião, ela embasou o pedido no impacto ambiental gerado pela impressão gráfica, citando o alto consumo de papel e energia. Como alternativa, Tamara sugeriu o compartilhamento da leitura: "Se vocês puderem, se vocês têm acesso a uma biblioteca, pessoas da família, colegas do trabalho, façam os livros circularem".
O posicionamento inicial gerou um intenso debate nas redes sociais sobre o acesso à cultura e a sustentabilidade da indústria literária no Brasil. Enquanto alguns internautas apoiaram a ideia de uma desaceleração no consumo e concordaram com a preocupação ambiental, outros apontaram fortes contradições no discurso da navegadora. Usuários chegaram a resgatar vídeos antigos em que Tamara exibe com orgulho sua vasta biblioteca pessoal, questionando a coerência de seu pedido original e motivando a rápida retratação da autora.
