Entenda o que é a Doença de Creutzfeldt-Jakob, diagnosticada no influenciador Lito Sousa
Enfermidade destrói neurônios rapidamente e não possui tratamento reversível; saiba mais

O recente diagnóstico do piloto e influenciador digital Lito Sousa, do canal "Aviões e Músicas", trouxe à tona dúvidas sobre a Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). Trata-se de uma síndrome neurodegenerativa humana extremamente rara, de rápida progressão e que, até o momento, não possui cura. A condição pertence ao grupo das doenças priônicas, o que significa que é causada pela alteração anormal de uma proteína natural do corpo chamada príon.
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Quando essa proteína sofre mutação, ela passa a se multiplicar de forma desordenada e a destruir os neurônios. Esse processo degenerativo deixa o tecido cerebral com pequenas lesões, adquirindo um aspecto poroso, semelhante a uma esponja. Por afetar diretamente o sistema nervoso central, os pacientes apresentam, logo nas fases iniciais, quadros de demência, perda de memória, tremores e dificuldade de coordenação. Em pouco tempo, o quadro evolui para uma perda severa da capacidade motora e de outras funções neurológicas vitais.
A gravidade da doença se reflete diretamente em sua alta letalidade. Dados da literatura médica adotada pelo Ministério da Saúde apontam que cerca de 90% das pessoas diagnosticadas morrem em um período que varia de seis meses a um ano após o início dos sintomas, com uma sobrevida média estimada em apenas cinco meses. Como não existe terapia capaz de reverter ou sequer frear o avanço da degeneração, o tratamento é estritamente paliativo. A equipe médica concentra seus esforços em dar suporte clínico, controlar os sintomas e garantir o máximo de conforto ao paciente. O diagnóstico definitivo, por sua vez, exige uma complexa combinação de avaliação clínica, ressonância magnética, eletroencefalograma e análises específicas do líquido cefalorraquidiano.
No âmbito da saúde pública, especialistas ressaltam a importância de não confundir a forma esporádica ou clássica da enfermidade com a sua nova variante (vDCJ), que ficou mundialmente conhecida como o "mal da vaca louca". Enquanto a variante está associada ao consumo de carne bovina contaminada pela encefalopatia espongiforme bovina, a forma clássica, que atinge a grande maioria dos pacientes e é a provável suspeita nos casos mais recentes no país, não tem qualquer relação com a alimentação. O Ministério da Saúde reitera que o Brasil nunca registrou casos ou mortes pela variante da vaca louca desde o início do monitoramento.
No cenário epidemiológico nacional, a DCJ atinge predominantemente a população idosa. Historicamente, a faixa etária entre 55 e 74 anos concentra mais de 60% das notificações no país. Um levantamento do Ministério da Saúde revelou que, entre 2005 e 2021, período que corresponde aos primeiros 16 anos da doença na lista de notificações compulsórias, o Brasil contabilizou 547 casos confirmados da versão clássica. A maior concentração de diagnósticos ocorreu nos estados do Sudeste e do Sul, com São Paulo, Minas Gerais e Paraná liderando os registros.
