Advogada diz que pais querem trigêmeas de volta

A advogada Margareth Zanardini, que tenta retomar a guarda de trigêmeas por um casal de Curitiba, disse ontem que não houve "rejeição específica" a um dos bebês, conforme versão apresentada de forma anônima por funcionários do hospital onde elas nasceram. A suposta rejeição teria motivado a ordem judicial de internamento das crianças em um abrigo.
Em um momento da entrevista concedida em Curitiba, perguntada se o pai teria tentado deixar uma das crianças, optando apenas por duas, ela admitiu que "em parte é verídico". No entanto, logo depois, reforçou: "Mas não posso entrar em detalhes do processo", que corre em segredo de Justiça.
Ela também chamou a atenção para as condições da mãe. "Parece que todos que veem (esse caso) nunca se equivocaram em nada, não sabem que uma mãe, em estado puerperal, pode equivocar-se", disse. Instada novamente para explicar a declaração, respondeu: "Está dentro dos autos e não gostaria de me manifestar a respeito".
Questionada sobre a possível rejeição ocorrida dentro do hospital, relatado por funcionários, ressaltou não ter conhecimento. "Quando o cliente traz o caso, informa o que aconteceu em sua visão", disse. Para ela, o processo em tramitação é nulo porque a família foi ouvida sem que houvesse acompanhamento psicológico para a mulher e sem que fossem assistidos por um advogado.
Segundo Margareth, a decretação da extinção do poder parental de uma das filhas veio na mesma data em que eles foram ouvidos, no dia 23 de fevereiro. Ela foi contratada no dia seguinte e fez várias petições de reconsideração. A advogada reclamou, no entanto, que os pedidos foram negados.
O pai é nutricionista e a mãe, economista, e ainda não tinham filhos. Ambos têm menos de 30 anos e, de acordo com Margareth, com a ajuda da família, têm condições de garantir o futuro das três crianças. Ela ressaltou que vai tentar de todas as formas que as crianças sejam entregues aos pais.
Margareth aguarda a apreciação de mais um recurso em segundo grau que pede a restituição das crianças aos pais. Enquanto isso, eles somente têm o direito de ver os bebês durante duas horas por semana, sem amamentação.
