'Minha Casa' não atinge baixa renda em Apucarana

A Caixa Econômica Federal (CEF) injetou cerca de R$ 60 milhões em Apucarana nos últimos 16 meses, somente através dos contratos individuais, de financiamento do programa habitacional Minha Casa Minha Vida.
Os investimentos beneficiam famílias com renda superior a três salários mínimos. No total, o banco está financiando a construção ou compra de 1.052 casas na cidade.
Os investimentos para este público continuam em alta e ficaram ainda mais atraente com o aumento do teto de R$ 80 mil para R$ 100 mil.
Por outro lado, como em outros municípios, os contratos individuais de financiamento de imóveis de R$ 41 mil, para renda de até três salários mínimos não podem ser executados.
A impossibilidade se dá devido ao valor dos terrenos nos bairros. A média é de R$ 40 mil. O que inviabiliza o contrato de compra do lote e construção.
Sendo assim para famílias com este perfil, resta esperar a construção de conjuntos habitacionais financiados pelo Minha Casa Minha Vida com terrenos cedidos pelo município.
O déficit habitacional em Apucarana, de acordo com a prefeitura, é de cerca de 5 mil imóveis para renda de um a 10 salários mínimos.
“O grande problema é realmente este público, que não tem boa renda, que são aqueles que pagam aluguel, moram em casebres. Mas temos procurado fazer de tudo para minimizar esta situação”, diz o prefeito João Carlos de Oliveira, (PMDB).
O prefeito informou que estão em construção 68 casas na região do núcleo Marcos Freire e 80 na Vila Reis. Outras 145 devem ser construídas ao lado do colégio Antônio dos Três Reis de Oliveira e mais 150 na Colônia Comunitária.
“A partir de junho, com o PAC 2, programo a construção de 460 casas na região do Jardim Colonial e ainda negocio com um loteador 400 lotes de um novo investimento, que também vai ser feito perto do colégio Antônio dos Três Reis de Oliveira” revela Oliveira.
Controle de mercado
O construtor Wagner André de Oliveira, o ‘Vandré’, confirma que o mercado de imóveis de até R$ 100 mil continua aquecido e a procura continua em alta. Contudo as dimensões de terreno e dos imóveis mudaram desde o início do programa em 2009. “As casas têm cerca de 60 metros m² e dois quartos em lotes com até 200 m²”, diz Oliveira.
Para ele, os valores dos terrenos de R$ 40 mil, são reflexo do mercado. “Assim tem duas alternativas. Construir com metragem menor, ou abaixar a qualidade da construção. O que eu não concordo”, diz Vandré. Ele entende que se a habitação para baixa renda tivesse mais investimentos, o mercado melhoraria. “A demanda que paga aluguel vai para a casa financiada. Os preços começam a cair. Mas o pobre não tem opção ofertada pelo poder público. O programa é para estas pessoas”, diz o construtor.
A União de Mutuários e Moradores de Apucarana (Umma) conseguiu a construção de 150 casas para baixa renda, na região da Colônia Comunitária. O projeto está aprovado e as obras devem começar até no segundo semestre.
