Médicos deixam de atender planos

Os médicos de Ivaiporã estão liderando um movimento regional de descredenciamento dos planos de saúde. Os 40 profissionais da cidade, de várias especialidades, entraram há cerca de 15 dias com os pedidos de descredenciamento de pelo menos 20 operadoras com atuação no município, mas o anúncio da medida foi feito ontem pelo presidente da Associação Médica do Paraná (AMP), Fernando Macedo, em Curitiba.
Segundo o presidente da AMP de Ivaiporã, Anderson Wagner Garcia, a baixa remuneração dos médicos e a falta de diálogo com os planos é que motivou a medida. Há planos que pagam até R$ 13 por consulta, segundo a AMP.
“Nossa preocupação principal é com o paciente. Quando o profissional está insatisfeito isso reflete na relação com o paciente. Para manter um consultório hoje atendendo por planos de saúde é preciso fazer mágica”, afirma.
Garcia afirma que o descredenciamento em massa foi discutido entre os médicos. “Foi uma opção individual de cada um, não uma imposição da AMP”, completa.
Por enquanto, entretanto, o atendimento dos usuários está garantido, uma vez que o processo de descredenciamento prevê prazos de transição variáveis, geralmente entre 30 e 60 dias. Passado este prazo, os pacientes terão a opção de pagar os honorários, procurar atendimento no SUS ou se deslocar para outras cidades cobertas por suas seguradoras. A medida não atinge as cooperativas médicas, caso da Unimed, que têm uma relação diferente jurídica diferente com os médicos.
O presidente da AMP, José Fernando Macedo completa que a situação que saturou os médicos de Ivaiporã se repete em todo o Estado.
“Em nenhum momento nós, médicos, queremos deixar de atender. O que buscamos é poder atender com condições, dignidade e valor. Isso se traduz em benefício para a própria população”, explica o presidente, que defende que a AMP busca retomar a relação entre médico e paciente, dando ao último o direito de escolher o profissional que vai lhe atender.
Reajuste em discussão
A queda de braço entre as entidades médicas e operadoras se arrasta desde o julho do ano passado, quando a Comissão Estadual de Honorários Médicos (CEHM) tentou negociar melhores honorários com as operadoras de saúde.
Sem nenhum acordo, a comissão o enviou uma carta de orientação aos médicos paranaenses.
Convocada pelos médicos do município, a CEHM se reuniu, no dia 10 de novembro, com os médicos de Ivaiporã.
Os profissionais locais estavam muito insatisfeitos pelo valor pago pelas operadoras, tanto para as consultas quanto para outros procedimentos. Essa insatisfação resultou na atitude de agora: do descredenciamento.
Uma ação judicial também foi protocolada, na Justiça do Trabalho, no último dia 2 de dezembro, pelo Sindicato dos Médicos no Estado do Paraná, em nome de todos os médicos, contra os planos de saúde.
O processo é para reaver as perdas, dos últimos cinco anos, ocasionadas pela defasagem no valor repassado pelas consultas e procedimentos médicos.
