Morte de idosa aponta falhas no transporte

A morte de uma idosa após o atropelamento por um ônibus da Viação Apucarana Ltda (VAL), no sábado, no Núcleo Habitacional Marcos Freire, em Apucarana, evidenciou nesta semana o desleixo no atendimento aos usuários do transporte coletivo na cidade.Raimunda Antônio da Silva, de 86 anos, teria ficado com a roupa enroscada no ônibus no momento em que descia, na Rua José Ciappina. Ela caiu perto do meio-fio e foi atropelada. Raimunda morreu no local do acidente. Moradora no Jardim Colonial, ela havia saído para fazer uma visita antes de ir à igreja.
“Sabemos que não foi intenção do motorista matá-la, mas ele deveria ter olhado melhor antes de sair com o circular. Houve um pouco de negligência”, acredita a neta da vítima, Deonilde de Souza.
Segundo ela, a família não descarta entrar na Justiça contra a VAL. “Queremos saber o que realmente aconteceu. Vamos ouvir testemunhas e, dependendo do caso, levar para a Justiça. Isso pode não trazer minha avó de volta, mas pelo menos não deixará que outras pessoas passem pelo mesma situação”, sustenta.
Entre os usuários, o acidente causou indignação. “Ao invés de melhorar, o serviço da empresa está ficando cada vez pior depois que houve mudanças na administração. Parece que dispensaram todos os motoristas bons, os que tinham experiência”, comenta a costureira Quésia de Oliveira Camargo.
O aposentado Nilton Custódio reclama que, além da falta de paciência, alguns motoristas da VAL costumam dirigir em velocidade alta.
“Tem gente que corre demais. Deveriam ir mais devagar. Também é difícil a gente ficar andando só em pé, no meio do ônibus”, reclama.
Já a estudante Janaína Kellen Vieira conta que ver idosos caindo dentro do coletivo não é algo raro. Mesmo acenando, ela também já ficou para trás no ponto de ônibus. “Estava grávida e o motorista fingiu que não me viu”, recorda.
Empresa alega falhas humanas
A Transporte Coletivo Cidade Canção (TCCC), que controla a Viação Apucarana Ltda. (VAL), informou ontem que pretende ressarcir a família de Raimunda Antônio da Silva em relação às despesas funerárias. Segundo o encarregado do departamento de Trânsito da TCCC, Eliverte Riedo, o atropelamento foi uma fatalidade. Todos os motoristas da VAL, conforme ele, passam por uma preparação antes de começar a trabalhar na empresa.“Eles têm que ter registro como motorista e CNH categoria D. Em algumas situações, a empresa os ajuda, como com os cobradores que são reaproveitados como motoristas, a conseguir a carteira que precisam”.
Embora os usuários apontem a falta de paciência como uma das principais características dos funcionários da VAL, Riedo pondera que a TCCC os orienta com treinamento psicológico. “Mas, acontecem falhas humanas e buscamos corrigir isso”. A.L.
Neta quer abaixo-assinado
Deonilde de Souza, neta da idosa morta em um acidente envolvendo um ônibus da Viação Apucarana Ltda. (VAL), afirma que pretende iniciar um abaixo-assinado para que as pessoas com mais de 60 anos de idade possam voltar para parte da frente dos circulares. Ela pede que os idosos fiquem antes da roleta com o cobrador, para que possam descer pela porta ao lado do motorista.
“Quando as pessoas descem pela porta de trás, o motorista não tem tanta visão como quando elas saem pela frente”, analisa. O delegado-chefe da 17ª Subdivisão Policial (SDP), Gabriel Junqueira, diz que duas pessoas, incluindo o condutor da VAL, foram ouvidas sobre o caso. “Outras testemunhas vão prestar depoimento. Por enquanto, não dá para dizer o que aconteceu”. A.L.
