Aluno da UEM acusa professor de xenofobia
O aluno do primeiro ano de Geografia da UEM Carlos Manuel Cossio deve comparecer hoje ao 4º Distrito de Polícia Civil para depor sobre um suposto caso de xenofobia, do qual teria sido vítima em 24 de novembro.
Cossio, brasileiro com ascendência boliviana e criado na Bolívia, alega que o professor Renato Cardoso Nery, do Departamento de Física da UEM, teria lhe dito que os bolivianos "não prestavam" e que o estudante não deveria estar no Brasil. Cossio registrou Boletim de Ocorrência no mesmo dia do incidente.
O estudante afirma que estava organizando as urnas para a votação das eleições do Diretório Central dos Estudantes , quando pediu "educadamente" para Nery desocupar uma mesa na qual seria colocada uma cabine eleitoral. A partir daí, segundo relatos do estudante, Nery teria demonstrado nervosismo. Logo depois, Cossio estava conversando com um colega que lhe perguntou o porquê de seu sotaque.
Quando o estudante respondeu, "sou boliviano", o professor ouviu e teria começado a ofendê-lo. "Não conseguia acreditar que era mesmo um professor universitário", diz o estudante. "Ele chegou a me dizer que não era o Lula para ter de aguentar boliviano".
Procurado pela reportagem, o professor Nery afirma que tudo foi uma brincadeira, com a qual o estudante se exaltou e que está disposto a pedir desculpas se o aluno ficou ofendido. "Imagina que vou dizer quem pode ou não pode estudar na UEM."
O delegado da Polícia Civil Antônio Brandão Neto afirma que vai ouvir tanto a vítima quanto o suposto agressor para saber se o caso pode ser enquadrado como racismo ou se foi "simples pilhéria".
