Londrina: rebelião termina com carcereiro ferido
Terminou por volta das 21h desta segunda-feira (15) a rebelião no 2º Distrito Policial de Londrina - na rua Santa Marta, Vila Santa Terezinha, zona leste da cidade. A revolta começou seis horas antes, quando detentos renderam um carcereiro no momento em que ele recolhia as sobras das refeições servidas aos presos. O agente foi ferido e ameaçado de morte e o clima ficou tenso durante a tarde e parte da noite.
A Tropa de Choque do 5.o Batalhão da Polícia Militar ameaçava invadir o local, o que provocou angústia dos familiares de presos, que se aglomeravam em frente ao DP e temiam confronto na carceragem do DP. Depois de intensa negociação, envolvendo a cúpula da polícia local e a Justiça, o grupo que liderou a rebelião concordou em libertar o carcereiro em troca da transferência de parte dos presos para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) e Casa de Custódia.
O servidor público ferido foi encaminhado para um hospital. Antes ele falou pelo telefone celular com a reportagem da Rede Massa (SBT) e disse estar aliviado com o desfecho.
Uma viatura entrou no pátio do DP por volta das 21h30 para iniciar a transferência dos detentos para outras cadeias. O 2º DP comporta 122 internos mas abrigava cerca de 350.
"Maus tratos"
Às 18h50, um dos detentos rebelados no 2º Distrito Policial de Londrina deu entrevista ao vivo, pelo celular, à TV Tarobá. Ele disse que além do carcereiro feito refém, havia outros 40 homens "enrolados em colchões" sob poder do grupo de amotinados. Seriam detentos do "seguro" - presos que ficam separados dos demais porque são acusados de crimes passíveis de punição pelos próprios presos, como casos de estupro e violência contra crianças.
O "porta-voz" do grupo declarou ainda que o carcereiro - cuja identidade não foi divulgada - seria o "primeiro a morrer" se as autoridades policiais não atendessem as reivindicações dos presos.
"Estamos sofrendo maus-tratos aqui, nossos parentes passam por constrangimento, a comida é horrível, o DP tá superlotado. Tem muita gente aqui que já 'pagou a pena' e não tem juiz, não tem Fórum, e não consegue sair", disse o detento.
As autoridades admitiram o problema de superlotação, mas negaram que alguma denúncia de maus-tratos já tivesse sido feita pelos detentos.
