Estudantes protestam no PR contra 'descaso' na educação
Cerca de 300 estudantes secundaristas e universitários, de acordo com a Polícia Militar (PM), fizeram uma caminhada, na tarde de hoje, por todo o calçadão da Rua 15 de Novembro e por algumas ruas do centro de Curitiba, com o objetivo de mostrar que o movimento estudantil continua forte. "O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) foi apenas o gatilho que faltava", disse uma das organizadoras do movimento, que pediu para ser chamada apenas de "mais uma cara amarela". Os estudantes, que se mobilizaram por redes sociais, pintaram os rostos de amarelo.
"Nas ruas, nas praças, quem disse que sumiu. Aqui está presente o movimento estudantil", foi uma das palavras de ordem mais gritadas durante a manifestação que agitou a cidade, bastante esvaziada em razão do feriado da Proclamação da República. "Estamos protestando contra o descaso do governo com a educação em geral, está tudo focado mais na politicagem", disse a organizadora. "Se depender de nós, o movimento estudantil será retomado".
Ela explicou que a manifestação não visava tomar partido em relação ao que deve ser feito com o Enem, visto que muitos estudantes consideram-se prejudicados com a troca de gabaritos em um dos cadernos. "Queremos apenas uma resposta, que nos deem as opções viáveis econômica e emocionalmente", afirmou. "Temos que ver o que dará mais igualdade", acrescentou.
Em meio às várias faixas e cartazes, uma sugeria que a presidente eleita, Dilma Rousseff, nomeie o deputado eleito, Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP), o Tiririca, para o Ministério da Educação. "Pior que 'tá' não fica", dizia o cartaz. Os estudantes iniciaram a caminhada com narizes de palhaço, mas, na metade, obedeceram ao grito de que ninguém ali era palhaço e jogaram fora. "Cara amarela, qual é sua missão? Mudar o ministério, mudar a educação", cantavam os manifestantes.
Estudante de Pedagogia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fabiano de Jesus reclamou que o governo federal tem procurado ampliar as vagas para as universidades federais, mas, ao mesmo tempo, tem diminuído os recursos. Ele disse temer que, no próximo governo, a UFPR, em razão do Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Ampliação das Universidades Federais (Reuni), adote a aprovação automática de alunos, independentemente do aproveitamento escolar, visto que a meta é ter no mínimo 90% de aprovados, além de haver um aumento de 12 para 18 alunos por professor.
