Programa “Mais Médicos” não agrada categoria da região de Ivaiporã
A estratégia do governo para aumentar o número de médicos no país com o lançamento do programa “Mais Médicos para o Brasil”, anunciado pela presidenta Dilma Roussef na segunda-feira (8), não agradou a classe médica no Vale do Ivaí. Criado por medida provisória, a iniciativa que desperta maior controvérsia na classe é a abertura de vagas para a seleção de profissionais. Ela prevê a contratação de mais profissionais para atendimento em áreas carentes, inclusive de estrangeiros, além de aumentar a formação de medicina em dois anos, obrigando os estudantes a trabalharem no SUS durante esse período, remunerados por uma bolsa. De acordo com o presidente da Associação Médica de Ivaiporã (AMI), Givanildo Bonfim dos Santos, o programa é uma forma de do Governo Federal disfarçar o baixo investimento em saúde no país.
“A simples contratação de médicos sem garantias trabalhistas expressas e com uma remuneração não compatível não resolverá os problemas do sistema público de saúde”. Outra preocupação da AMI é com relação à contratação de médicos estrangeiros e a extinção do revalida, processo de provas para que médicos formados no exterior possam atuar no Brasil. "Não somos contra a contratação de profissionais estrangeiros. Só queremos que eles passem pelo processo de revalida. Nós temos que oferecer para o paciente o melhor. E o melhor é médico bem formado e preparado para atender os pacientes”, diz dos Santos.
Pela proposta do Governo Federal, os estrangeiros poderão trabalhar desde que façam um curso de três semanas em uma universidade brasileira. O médico ivaiporaense Cláudio Roberto de Mello Paschoal formado na Unitepc, em Cochabamba, na Bolívia, diz que a extinção do revalida é preocupante. “Na época em que eu fiz o revalida eram 200 candidatos e só 19 passaram. Esse novo critério do Governo sem nenhuma prova de aptidão é perigoso e expõem a parcela mais carente da população a riscos decorrentes de atendimento por profissionais mal formados”, assinala Pachoal. Secretarias municipais querem mais recursos. Para as secretarias municipais de Saúde da região, o Goveno Federal investe menos que a média dos países em saúde e a simples contratação de médicos não resolverá os problemas do sistema público de saúde. Segundo o secretário de Saúde de Ivaiporã Luiz Carlos Favarin, o grande problema da saúde hoje é a falta de recurso da área federal.
“Enquanto o Município investe o mínimo de 15%, o Estado 12%, a União deixou de repassar os 10% que tinha obrigação. Isso aconteceu depois da extinção do CPMF”, diz Favarin. “Sem esses recursos os governos municipais foram sobrecarregados e tiveram que assumir essa diferença”. Para a secretária de saúde de Ariranha do Ivaí, Leila Dias, a ausência de infraestrutura adequada a todos os níveis de complexidade de atendimento e até nos mais básicos, é o maior entrave para o atendimento da população nos pequenos municípios. “Por mais boa vontade dos gestores existe a falta de recursos para o investimento na infraestrutura. Hoje a arrecadação é basicamente através do FPM e todos sabem que a queda no FPM é constante. No primeiro semestre tivemos 26% desse repasse a menos e a previsão é de queda de mais de 20% no segundo semestre”. Ariranha do Ivaí tem quatro médicos que se revezam nas consultas durante a semana e um médico que atende o Programa Saúde da Família.
Além disso, o município mantém convênio com hospitais em Ivaiporã, Arapongas, Londrina e Curitiba. Porém, o maior problema da cidade é com as urgências e emergências. “O nosso caso é falta de resolutividade. Nós temos médico de manhã e de tarde. Só que um médico e um estetoscópio não vão salvar uma gestante de alto risco ou uma pessoa que está infartando aqui no corredor do centro de saúde. O que precisamos é de uma estrutura de urgência e emergência. Mas, sem recursos e apoio do Governo Federal o município não tem como bancar”.
