Indígenas de Manoel Ribas protestam em cooperativa
Aproximadamente 200 moradores da Reserva Indígena Ivahy, de Manoel Ribas, ocuparam ontem à tarde a entrada da unidade da Coamo local. A manifestação se deu em razão da produção da safra de soja da reserva - cerca de 60 mil sacas - ter sido embargada e retida pela Justiça no final de 2012, depois que a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Forte Apache 2.
Na época o ex-vereador e cacique Dirceu Retanh Pereira Santiago, acabou sendo detido. Ele foi apontado como possível autor de uma série de crimes, principalmente de arrendar terras indígenas a pequenos agricultores da região.
De acordo com as investigações da PF, as terras vinham sendo arrendadas ilegalmente desde 2005. As transações ocorriam, segundo a investigação, por intermédio de duas associações indígenas, uma das quais já está extinta. Na época, o delegado da PF, Maurício Todeschini, que liderou a operação, disse que Santiago recebia o dinheiro dos agricultores, mas não repassava às associações ou às reservas. “Ele arrendava as terras para ‘homens brancos’ e desviava o dinheiro para si”, disse Todeschini. Santiago foi liberado no início de fevereiro através de um habeas corpus concedido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região e aguarda a conclusão do inquérito policial.
O atual cacique da aldeia caingangue, Ademir Crispin, diz que produção de soja é a principal fonte de renda da reserva. “Sem esses recursos não temos conseguido pagar as contas. Também estamos tristes com a Funai que, além de não trabalhar para que a soja seja liberada, também não apoia a aldeia”.
A manifestação em frente à Coamo, onde a soja está estocada, ocorreu até as 17 horas quando os índios seguiram ao fórum da Comarca de Manoel Ribas, onde as lideranças se reuniram com o Ministério Público. Até o final da tarde de ontem, não havia informações sobre o resultado do encontro.
