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Decoração de natal é feita por detentos em Mandaguari

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Decoração de natal é feita por detentos em Mandaguari
Autor Decoração de natal é feita por detentos em Mandaguari - Foto: Delair Garcia - Tribuna do Norte - Diário do Paraná

A cidade de Mandaguari vai estar mais enfeitada neste final de ano. A decoração natalina está recebendo uma contribuição de pessoas que não terão ceia, nem família ao redor na noite de Natal: os detentos. São 25 presos que fazem parte do projeto de ressocialização da delegacia do município envolvidos com a produção de árvores natalinas, sinos, bonecos de neve, cajados, laços, bolas. Tudo confeccionado em estrutura de ferro, tela de arame e garrafas plásticas. Os enfeites vão ser instalados em praças e ruas centrais a partir de amanhã. Mas na cadeia o clima entre os presos é de tranquilidade e solidariedade. Os detentos foram colocados na fabricação dos enfeites pela prefeitura, que subsidia atividades de ressocialização.

No ano passado eles já ajudaram, reformando os enfeites, hoje fabricam novos. A solicitação foi feita pelo prefeito Cillênyo Pessoa Pereira Júnior (PP) que, com a autorização do Judiciário e Ministério Público e apoio de empresários, implantou o projeto. “Ele elaborou uns enfeites, viu alguns modelos e nos enviou, e os presos fazem”, conta o superintendente da delegacia de Mandaguari, Cláudio Vicente de Faria.

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Há dois anos, desde que uma oficina de trabalhos manuais foi instalada, não aconteceram mais tentativas de fuga ou motim. Apesar de a cadeia estar com 73 presos, o dobro de sua capacidade, há mais tranquilidade na carceragem. Para os participantes, fazer os enfeites que a comunidade vai apreciar é um estímulo. “Meus filhos poderão desfrutar e dizer para os outros que foi o pai deles quem fez. Mesmo eu não podendo ir ver, é gratificante imaginar que as pessoas vão se sentir felizes com os enfeites”, disse o presidiário, Altevir Aparecido de Almeida, 37.

Reincidente em crimes, Aparecido Gerônimo, 47, está preso há um ano e meio em Mandaguari. Ele está há três meses no projeto de ressocialização e relata que em outras cadeias não há estrutura que ofereça trabalho e ocupação aos detentos. “Aqui tem igreja, estudo. Está sendo bom, porque trabalha a mente. Ficar trancado só nos deixa nervoso, estressado. O tempo não passa. A pessoa só pensa besteira. Aqui fora trabalhando é gostoso, sem falar na remissão da pena”, diz Gerônimo. Para cada três dias trabalhados há redução de um dia da pena. Gerônimo e outros presos já foram condenados e deveriam ser transferidos para penitenciária. Porém pela falta de vagas nestas unidades é comum condenados ficarem em cadeias, que deveriam mantê-los apenas até o julgamento.

Mesmo com estrutura modesta para ressocialização, o trabalho tem dado resultado. “O clima aqui melhorou muito. Os demais presos que não participam do projeto procuram ter bom comportamento, para também para virem para cá”, diz o superintendente da delegacia de Mandaguari, Cláudio Vicente de Faria.

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