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Zema critica silêncio de Lula sobre operação da PF que mirou Ciro Nogueira e Banco Master

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O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), criticou nesta quinta-feira, 7, o silêncio do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a quinta fase da Operação Compliance Zero, que mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

"O presidente está lá caladinho também. Com certeza por ter muita gente do PT envolvida também", disse, em entrevista coletiva compartilhada em suas redes sociais.

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Em outro vídeo, Zema também repercutiu a matéria do Estadão mostrando que as investigações da Polícia Federal apontaram que Ciro Nogueira recebeu propinas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e "instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar" em favor dos interesses do banqueiro no Congresso Nacional.

"O sistema dos intocáveis funciona assim: o povo paga imposto e eles vivem no luxo protegendo uns aos outros. Mas o silêncio em Brasília mostra uma coisa: eles estão com medo", escreveu Zema em seu perfil no X (antigo Twitter).

O ex-governador, que é pré-candidato à presidência, aproveitou para criticar o envolvimento de autoridades no escândalo do Master e citou, em vídeo, que teria "muita gente do PT envolvida".

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"Tenho sido o pré-candidato que mais tem colocado a boca no trombone, não tenho rabo preso. E o que o Brasil precisa são de líderes que não têm o rabo preso, porque o presidente tá lá caladinho também, com certeza, porque tem muita gente do PT envolvida", afirmou.

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que autorizou as diligências com base em provas reunidas pela PF, afirma que Ciro Nogueira recebia uma mesada de R$ 300 mil de Vorcaro. Segundo a investigação, "há relatos de que o montante teria evoluído para R$ 500 mil".

Os investigadores também apontam que Vorcaro teria disponibilizado gratuitamente ao senador, por tempo indeterminado, um imóvel de alto padrão, além de custear hospedagens, deslocamentos e outras despesas ligadas a viagens internacionais de luxo.

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Entre os gastos mencionados, estão estadias no Park Hyatt New York, restaurantes de alto padrão e despesas atribuídas ao parlamentar e à sua acompanhante. A investigação cita ainda a disponibilização de um cartão para cobertura de gastos pessoais.

Outro ponto apurado pela PF envolve a aquisição, por Ciro Nogueira, de participação societária estimada em cerca de R$ 13 milhões pelo valor de R$ 1 milhão, operação que, segundo os investigadores, teria sido viabilizada por Vorcaro.

Segundo as investigações, o negócio, com subvalorização das ações adquiridas, envolvia a venda de 30% da empresa Green, que teria participação na empresa Trinity, para a empresa CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., formalmente administrada pelo irmão do parlamentar, Raimundo Nogueira - também alvo de mandado de busca e apreensão. A defesa dele não se manifestou.

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"A narrativa policial enfatiza que os elementos colhidos demonstrariam a existência de um arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo, extrapolando relações de mera amizade", diz a PF.

Como revelou o Estadão, a PF encontrou no celular do banqueiro diálogos com o senador e ordens de pagamento destinadas a uma pessoa identificada apenas como "Ciro". Na ocasião, o parlamentar afirmou conhecer Vorcaro, mas negou proximidade e recebimento de pagamentos.

A Polícia Federal também localizou mensagens em que o banqueiro se refere ao senador como um "grande amigo de vida" e comemora uma iniciativa legislativa apresentada por Ciro Nogueira que beneficiaria o Banco Master.

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A mensagem foi enviada em 13 de agosto de 2024, mesma data em que o senador apresentou emenda à proposta de autonomia financeira do Banco Central para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por CPF. Vorcaro descreveu a medida como uma "bomba atômica no mercado financeiro".

Leia a íntegra da nota da defesa de Ciro Nogueira

A defesa do Senador Ciro Nogueira repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar. Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos. Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas.

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