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Reajuste do Bolsa Família deflagra embate eleitoral entre lulistas e bolsonaristas

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O reajuste de 15% do Bolsa Família, anunciado a 17 dias da realização do primeiro turno das eleições, deflagrou um embate entre lulistas e bolsonaristas, aumentando a fervura da disputa para a conquista da cadeira mais cobiçada do Palácio do Planalto. Nomes da direita, incluindo aliados do senador e presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, passaram a usar a medida como munição contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, com acusações de "desespero", uso eleitoral e tentativa de "comprar voto". Já os aliados do petista, comemoraram a decisão e reagiram às críticas reforçando o contraste com os adversários em torno das políticas sociais.

A reação da oposição ao atual governo começou a avançar também para o campo jurídico. O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirmou que irá à Justiça Eleitoral para tentar derrubar o reajuste, que classificou como "populista e criminoso". O Novo também avalia recorrer. Conforme mostrou a Coluna do Estadão, a equipe jurídica da legenda analisa os argumentos para um eventual questionamento. O presidente do partido, Eduardo Ribeiro, afirmou que o problema, na visão da sigla, está no momento do anúncio. "Não há problema algum em se discutir o reajuste do Bolsa Família, mas não às vésperas de uma eleição. Essa é uma medida claramente eleitoreira", disse.

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Do outro lado, aliados de Lula passaram a usar as críticas ao reajuste para reforçar a defesa do programa e marcar diferenças com a oposição, reforçando o contraste em torno das políticas sociais.

Candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, Lindbergh Farias (PT) afirmou que o anúncio provocou uma "gritaria dos ricos" e acusou os críticos de adotarem tratamento diferente quando o assunto envolve benefícios a empresas ou gastos com juros. "Sempre que Lula faz pelos trabalhadores eles ficam indignados", escreveu. Em vídeo, afirmou que os críticos "são contra o povo, são contra pobre".

O senador Humberto Costa (PT-PE) chamou o anúncio de "histórico" e afirmou que, enquanto a "extrema direita ataca o programa", o Bolsa Família segue colocando "comida na mesa de milhões de brasileiros". A candidata ao Senado Samanda de Lula (PT-RN) também celebrou a decisão. "É mais comida na mesa e mais tranquilidade para milhões de famílias", escreveu.

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Jandira Feghali (PCdoB-RJ), candidata à reeleição para deputada federal, disse que o reajuste reforça um "instrumento de cidadania e um compromisso com os mais vulneráveis". "Enquanto uns apresentam projetos para acabar com os programas sociais, Lula anuncia o reforço ao Bolsa Família", afirmou. André Janones (Rede-MG), candidato à Câmara, publicou vídeo comemorando o novo valor e procurando afastar a interpretação de que o reajuste seria temporário por causa da eleição. "Pode comemorar, pode festejar", disse.

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, também contrapôs o governo aos adversários. "Esse Bolsa Família que eles querem cortar, esse Bolsa Família ajuda as famílias mais necessitadas", afirmou. Já o governador da Bahia e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), disse que a medida representa "mais comida na mesa, mais dignidade e mais segurança para milhões de famílias".

Entre os candidatos à Presidência, Renan Santos foi o mais explícito ao anunciar uma reação judicial. "Estou entrando agora na Justiça Eleitoral para derrubar essa medida populista e criminosa do Lula", afirmou. O candidato do Missão acusou Lula de anunciar a medida com a intenção de "comprar voto para se reeleger".

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Romeu Zema (Novo) classificou o reajuste como uma "medida eleitoreira" e afirmou que a decisão demonstra "o desespero do Lula". O governador mineiro acusou ainda o presidente de irresponsabilidade fiscal, embora tenha dito considerar o Bolsa Família uma política pública importante e defendido mecanismos para a inserção dos beneficiários no mercado de trabalho.

Nas redes sociais, outros nomes da direita reforçaram o enquadramento eleitoral do anúncio. Nikolas Ferreira (PL-MG), candidato à reeleição para a Câmara, escreveu: "Lula anunciando reajuste em Bolsa Família??? O DESESPERO BATEUUUUUUUU".

O senador Jorge Seif (PL) afirmou que a decisão segue um "calendário eleitoral". "Às vésperas do primeiro turno, Lula anuncia aumento do Bolsa Família. Não é política social. É calendário eleitoral", escreveu. Segundo ele, o governo estaria usando "dinheiro público para comprar voto".

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Renato Bolsonaro (PL-SP), candidato a deputado federal e irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro, também questionou o momento da decisão. "Nada contra os mais necessitados, mas o cara usar isso na época da eleição para buscar voto é brincadeira", afirmou.

O governo anunciou nesta quinta-feira que o piso do Bolsa Família passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio irá de R$ 691 para R$ 777. Segundo o Executivo, o impacto será de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de R$ 22 bilhões em 2027.

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