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PFDC: 'Alusão a símbolos que remontam a épocas sombrias não podem ser admitidas'

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Após um fim de semana marcado por manifestações em defesa da democracia e também por ato com faixas contra o Supremo Tribunal Federal e a favor de uma intervenção militar, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão divulgou nota destacando que a violência e a ameaça, 'com a alusão a práticas e símbolos que remontam a épocas sombrias no Brasil ou em outros países', não podem ser admitidas por uma sociedade comprometida com os ideais de tolerância, liberdade, justiça e igualdade.

A Procuradoria pontua que tais 'recursos', visam a disseminação do medo, incutindo o temor de uma ruptura institucional - 'cujo desfecho nem sempre favorece a seus instigadores, mas sempre com prejuízo à democracia'.

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O posicionamento se soma à série de manifestações de instituições e autoridades, inclusive a Procuradoria-Geral da República que se dizem preocupadas com a situação do País. Segundo a PFDC, é necessário que 'sejam reafirmados os compromissos com a preservação da democracia e da harmonia social'

"O debate político, ainda que agravado por intensas divergências ideológicas, é inerente aos sistemas democráticos. Não é aceitável, todavia, que se ultrapassem os limites estabelecidos às instituições pela Constituição e que o enfrentamento coloque em risco a estabilidade social", afirmou o órgão no MPF em nota assinada pelo pelos subprocuradores-gerais Carlos Alberto Vilhena e Ana Borges Coêlho Santos.

Em Brasília, o grupo bolsonarista "300 pelo Brasil", liderado pela ativista Sara Winter, fez um protesto na noite do último sábado, 30, em frente à sede do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. O grupo carregava tochas acesas, e algumas pessoas usavam máscaras de personagens de filmes de terror cobrindo todo o rosto. A estética do ato foi comparada aos protestos da Ku Klux Klan (seita supremacista branca) nos Estados Unidos, em 2017.

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Neste domingo, 31, pela manhã, Bolsonaro participou de outro protesto, na Praça dos Três Poderes, com faixas contra o Supremo e a favor de uma intervenção militar.

Em São Paulo, um ato pró-democracia e antifascista organizado por grupos ligados a torcidas de futebol na Avenida Paulista terminou em confronto neste domingo, entre manifestantes e apoiadores de Bolsonaro e também com a Polícia Militar, que interveio e usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar o início de uma briga em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp).

O secretário-executivo da Polícia Militar, coronel Álvaro Camilo, afirmou ao Estadão que a corporação vai tentar identificar as pessoas que teriam se infiltrado no grupo de manifestantes contrários ao presidente Jair Bolsonaro, deflagrando a briga que levou à ação da corporação. O organizador do movimento Somos Democracia, Danilo Pássaro, de 27 anos, informou que a dupla portava símbolos neonazistas - informação não confirmada oficialmente pela PM.

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Confira a íntegra da nota da PFDC

A construção de uma sociedade livre, justa e solidária, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer forma de discriminação, alicerça o Estado Democrático de Direito em que se constitui o Brasil.

A turbulência que marcou o cenário político e social brasileiro nos últimos dias causa apreensão na população e requer sejam reafirmados os compromissos com a preservação da democracia e da harmonia social.

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O recurso à violência e à ameaça, com a alusão a práticas e símbolos que remontam a épocas sombrias no Brasil ou em outros países, visa à disseminação do medo, incutindo o temor de uma ruptura institucional, cujo desfecho nem sempre favorece a seus instigadores, mas sempre com prejuízo à democracia.

Tais condutas não se coadunam com os princípios democráticos e não podem ser admitidas por uma sociedade comprometida com os ideais de tolerância, liberdade, justiça e igualdade.

O debate político, ainda que agravado por intensas divergências ideológicas, é inerente aos sistemas democráticos. Não é aceitável, todavia, que se ultrapassem os limites estabelecidos às instituições pela Constituição e que o enfrentamento coloque em risco a estabilidade social.

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No cumprimento de sua missão constitucional, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão seguirá alerta e atuante, reiterando a defesa do diálogo na preservação do processo democrático, como instrumento prioritário de busca de conciliação e meio de solução de conflitos.

Brasília, 1º de junho de 2020.

Carlos Alberto Vilhena

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Subprocurador-Geral da República

Procurador Federal dos Direitos do Cidadão - Titular

Ana Borges Coêlho Santos

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Subprocuradora-Geral da República

Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão - Substituta

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