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Pesquisa aponta que 45% veem critérios políticos em decisões de Moraes; 28%, nas de Mendonça

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O ministro Alexandre de Moraes toma decisões no Supremo Tribunal Federal (STF) principalmente com base em critérios políticos para 45% dos entrevistados pela pesquisa Indexa/Broadcast, divulgada nesta quarta-feira, 16. Questionados sobre o ministro André Mendonça, 28% têm essa mesma avaliação.

No caso de Moraes, 16% apontam critérios técnicos e jurídicos como principal fundamento das decisões, enquanto 24% avaliam que ele utiliza os dois tipos de critério (tanto políticos quanto técnicos e jurídicos). Para Mendonça, os porcentuais são de 33% e 17%, respectivamente.

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Entre os entrevistados que se declaram bolsonaristas, 77% atribuem as decisões de Moraes principalmente a critérios políticos, percepção compartilhada por 68% dos que se identificam como de direita não bolsonarista. Nos dois grupos, apenas 1% aponta fundamentos técnicos e jurídicos.

A imagem de Moraes começou a se deteriorar com o bolsonarismo em meados de 2019, depois de ele assumir o inquérito das fake news. Criado para investigar ataques e notícias falsas contra a Corte e seus ministros, o inquérito se arrasta por sete anos e se tornou um escudo do STF diante dos escândalos do Banco Master. Mais recentemente, o ministro foi responsável por decretar medidas restritivas e a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro em novembro de 2025, após descumprimentos de medidas cautelares e tentativa de violação de tornozeleira eletrônica.

A avaliação desse grupo se inverte quando o ministro analisado é André Mendonça. Entre bolsonaristas, 71% dizem que ele decide principalmente por critérios técnicos e jurídicos, ante 5% que apontam motivação política. Na direita não bolsonarista, os índices são de 59% e 5%, respectivamente.

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Já entre lulistas ou petistas, 63% avaliam que Mendonça utiliza sobretudo critérios políticos, mesmo porcentual registrado na esquerda não lulista. Apenas 4% e 5%, respectivamente, apontam fundamentos técnicos e jurídicos.

O PT iniciou uma ofensiva nas redes sociais contra o ministro após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dar uma declaração pública pedindo a quebra integral do sigilo da investigação sobre o caso Master. Os petistas avaliam que Mendonça tem feito vazamentos seletivos com o objetivo de beneficiar o candidato de oposição Flávio Bolsonaro (PL).

Para Moraes, a parcela que vê predomínio de critérios políticos é de 23% entre lulistas ou petistas e de 20% na esquerda não lulista. Os que apontam critérios técnicos e jurídicos somam 37% e 41%, respectivamente.

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O recorte pelo voto no segundo turno de 2022 também mostra essa divisão. Entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, 70% atribuem critérios políticos às decisões de Moraes, ante 6% às de Mendonça. Entre os que votaram em Lula, os porcentuais são de 22% e 58%, respectivamente.

A pesquisa ouviu 2.000 eleitores por telefone, entre 10 e 13 de setembro de 2026. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-03482/2026.

De quem é a responsabilidade pela crise no STF?

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Em outra pergunta, dirigida aos eleitores que acompanham o tema, Moraes é apontado por 46% como o maior responsável pela crise no STF, seguido por Mendonça, com 16%. O ministro Dias Toffoli é citado por 6%, enquanto o ministro Flávio Dino, por 4%. Já o presidente da Corte, Edson Fachin, é mencionado por 3%.

A pesquisa mostra ainda que a maioria dos eleitores acompanhou com muita ou alguma atenção o noticiário sobre a crise no STF. As duas parcelas somam 57% dos entrevistados.

Sobre a atenção ao noticiário da crise, 35% dizem ter acompanhado as notícias com muita atenção e 22%, com alguma atenção. Outros 20% apenas ouviram falar do assunto, enquanto 19% não ouviram falar.

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A crise no Supremo envolve desdobramentos das investigações sobre o Banco Master e opõe os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. Um relatório da Polícia Federal (PF) compartilhado com Mendonça, cujo teor foi revelado pelo Estadão, apontou mensagens entre Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, levando à discussão sobre a abertura de investigação contra o magistrado.

Moraes nega os contatos e classifica o relatório como uma "farsa", enquanto Mendonça defende a legalidade das medidas adotadas. O conflito se agravou com acusações de vazamentos seletivos e divergências sobre a validade das provas e os procedimentos para investigar integrantes da Corte. Nesta terça-feira, 15, a sessão do STF que analisaria se Moraes será investigado sobre o tema foi suspensa após pedido de vista pelo ministro Flávio Dino.

Maioria apoia abertura de impeachment contra ministros do STF

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A abertura de processo de impeachment contra ministros envolvidos na crise do STF tem apoio de 77% dos eleitores, mostra a pesquisa. O levantamento também aponta que 66% são favoráveis à criação de mandatos com prazo determinado para integrantes da Corte.

Sobre a abertura de impeachment, 68% se dizem totalmente favoráveis e 9% afirmam ser mais a favor do que contra. A oposição à medida soma 19%, sendo 15% totalmente contrários e 4% mais contra do que a favor. A pergunta se refere a ministros envolvidos na crise, sem especificar nomes.

Já a proposta de estabelecer mandatos com tempo determinado para ministros do Supremo tem 58% de entrevistados totalmente favoráveis e 8% mais a favor do que contra. Outros 22% se opõem à mudança: 19% são totalmente contrários e 3% mais contra do que a favor.

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