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Pergunta sobre prisão de Bolsonaro e elogio a Lula; bastidores da reunião de Flávio e Trump

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro foram assunto da conversa nesta terça-feira, dia 26, entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato de oposição ao Palácio do Planalto, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na reunião no Salão Oval da Casa Branca, sem a presença de jornalistas, o presidente dos EUA citou seus encontros prévios com Lula - o último duas semanas antes da recepção a Flávio Bolsonaro.

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Trump voltou a fazer ao petista a referência elogiosa de que o considera um político dinâmico, algo que chegou a comentar publicamente após a visita de Lula a Washington, apesar da idade avançada. Lula, por sua vez, sempre faz questão de lembrar quem ambos são homens na casa dos 80 anos.

Além disso, o presidente americano repetiu com o filho 01 do ex-presidente brasileiro o roteiro que fez com Lula na Malásia, onde o petista e o republicano mantiveram uma reunião de trabalho com suas equipes de governo pela primeira vez.

Na ocasião, como revelou o Estadão, Trump quis saber de Lula detalhes de sua prisão na Operação Lava Jato e dos 580 dias de cadeia. O interesse impressionou o governo por demonstrar que Trump havia estudado a biografia do petista. Ele repetiria o interesse no assunto semanas atrás, na recente conversa na Casa Branca.

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Agora, segundo relatos de testemunhas, Trump quis saber das condições de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele perguntou do período em que ele ficou preso em regime fechado, por causa da condenação por golpe de Estado, e também das atuais condições em prisão domiciliar.

Nessas ocasiões, segundo relato de aliados de Lula e de Flávio, Trump costuma fazer comparações aos processos judiciais que sofreu nos EUA, em virtude dos atos de 6 de janeiro 2021, a invasão ao Capitólio.

"O presidente Trump comentou sobre o encontro com o presidente Lula. Elogiou o seu dinamismo, mas também fez outros comentários que prefiro manter reservados", disse Paulo Figueiredo, comunicador aliado dos Bolsonaro que ajudou a articular a visita. Ele e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro foram os únicos a entrar com Flávio.

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Segundo Figueiredo, o encontro durou cerca de uma hora. A comitiva de Flávio disse que eles permaneceram uma hora e 40 minutos na Casa Branca, onde chegaram por volta das 15h. Além da reunião, ele posou para fotos na galeria de presidentes dos EUA.

"(Trump) ficou muito impressionado com a perseguição. Perguntou da prisão (de Bolsonaro), como era, e da saúde", relatou o comunicador bolsonarista.

Flávio Bolsonaro trajava uma gravata verde e amarela e levou para Trump e seus familiares camisas da seleção brasileira de futebol, com nome gravado nas costas, mas o presente ficou retido para inspeção do serviço secreto, uma praxe.

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Embora tenha a foto ao lado de Trump tenha sido divulgada inicialmente pelo entorno de Flávio Bolsonaro, a imagem foi capturada por uma equipe da própria Casa Branca. Segundo testemunhas do encontro, eles não puderam entrar no Salão Oval com telefones celulares ou eletrônicos.

O encontro serviu para Flávio como uma pauta positiva, em meio à crise na pré-campanha, por causa da revelação de diálogos e de pedidos de dinheiro feitos por ele ao banqueiro Daniel Vorcaro, preso por causa das fraudes bilionárias do Banco Master.

O próprio senador fez questão de dizer, num discurso lido à imprensa, que o encontro era uma forma de "reconhecimento" por parte de Trump de que sua candidatura era "séria", "sólida" e "confiável". Ele disse que quis oferecer uma "alternativa" aos EUA de um presidente "aliado".

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Até a comitiva bolsonarista se deslocar para a Casa Branca e ao momento de divulgação da foto, havia tensão no ambiente da pré-campanha. Aliados evitavam confirmar o encontro - que segundo Flávio ocorreu após um email com convite direto da presidência americana - e temiam que a agenda de Trump e alguma negociação de última hora com o Irã impedisse a reunião.

Eles se concentraram no tradicional hotel The Willard, nas imediações da Casa Branca. Ele se reuniu com Eduardo, Figueiredo e recebeu apoio de ex-colaboradores da Presidência da República, parlamentares e pré-candidatos bolsonaristas.

Quem apareceu no hotel foi Darren Beattie, funcionário do Departamento de Estado que atua em políticas para o Brasil e foi recentemente barrado por Lula no Brasil e impedido de visitar Jair Bolsonaro na prisão. Beattie é parte do movimento trumpista e integra uma ala ideológica da diplomacia americana.

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Durante esse período, protagonizaram um embate com o Itamaraty. O gabinete do senador mandara um email, na véspera, um feriado nos EUA, e somente à noite, pedindo apoio com uma sala na embaixada brasileira, para conceder uma coletiva de imprensa. A embaixada não respondeu a tempo, segundo eles, e a entrevista foi transferida para outro endereço. Dela participou outro nome ligado a Trump, o conselheiro Jason Miller.

Segundo diplomatas, não havia comunicação com antecedência para tomada de providências, tampouco qualquer aviso por parte do Senado de que a visita era parte de uma missão oficial, quando a embaixada tem por regra prestar apoio aos parlamentares, inclusive logístico, com carros.

Depois da entrevista, Flávio e aliados se reuniram numa casa geminada, no número 29 da N Street NW, onde pediram pizza delivery da rede de fast food Dominos e refrigerante Coca Diet. Lá, Flávio gravou vídeos com influenciadores de direita, que exaltavam a lembrança recebida pelo presidenciável do PL - uma challange coin com nome de Trump gravado Ele também posou para fotos com aliados e deixou-se gravar em uma oração.

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Ainda na capital americana, nesta quarta-feira, dia 27, o pré-candidato do PL e seus aliados vão visitar o Departamento de Estado, após o retorno aos EUA do secretário Marco Rubio, um histórico aliado político.

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