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MP quer afastar presidente do Iphan após Bolsonaro admitir interferência no órgão

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O Ministério Público Federal pediu o afastamento da presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Larissa Rodrigues Peixoto Dutra, após o presidente Jair Bolsonaro admitir que interferiu no órgão para atender interesses privados. Na quarta-feira, Bolsonaro afirmou que trocou o comando da instituição, no fim de 2019, para atender o empresário Luciano Hang, das lojas Havan.

"Tomei conhecimento que uma pessoa conhecida, o Luciano Hang, estava fazendo mais uma obra e apareceu um pedaço de azulejo nas escavações. Chegou o Iphan e interditou a obra. Liguei para o ministro da pasta (Marcelo Álvaro Antônio, à época titular do Turismo): Que trem é esse? Porque não sou inteligente como meus ministros. O que é Iphan, com ph? Explicaram para mim, tomei conhecimento, ripei todo mundo do Iphan. Botei outro cara lá", disse o presidente durante evento na Fiesp.

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"O Iphan não dá mais dor de cabeça para a gente. E quando eu ripei o cara do Iphan... O que teve, me desculpa aqui, prezado Ciro (Nogueira, ministro da Casa Civil), de político querendo indicação não estava no gibi. Daí eu vi, realmente, o que pode fazer o Iphan. Tem um poder de barganha extraordinário", afirmou Bolsonaro.

'Desvio'

A ação que pede o afastamento de Larissa Dutra foi apresentada pelo deputado Marcelo Calero (Cidadania-RJ) na época em que ela foi nomeada, em maio do ano passado. A alegação foi de que Larissa não tem experiência na área de patrimônio histórico.

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"Houve uma decisão liminar da Justiça, em 1.ª instância (afastando Larissa), mas foi cassada pelo Tribunal Regional Federal (da 2.ª Região). Agora, diante deste novo vídeo, pedimos à Justiça que conceda uma liminar para o afastamento", disse ao Estadão o procurador da República Sergio Suiama, autor do pedido.

"É um desvio de finalidade do ato administrativo. A nomeação do presidente do Iphan tem que estar vinculada à finalidade do órgão, que é a proteção do patrimônio (histórico)", afirmou Suiama.

Ontem, durante live, Bolsonaro descartou a possibilidade de interferência da Justiça. "Não creio que vá chegar ao final essa história de tirar quem eu coloquei no Iphan. Mandei investigar e cheguei à conclusão de que o pessoal do Iphan teria que ser trocado."

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Reunião

A interferência de Bolsonaro no Iphan veio à tona em maio de 2020, quando o STF determinou a divulgação de reunião ministerial ocorrida em abril daquele ano. No vídeo, o presidente diz que mudou o comando do Iphan para evitar a paralisação de obras.

Na época, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) apresentou uma notícia de fato. A representação foi enviada à Procuradoria no Distrito Federal, mas foi arquivada. A Procuradoria no DF disse que o caso pode ser reaberto se houver nova representação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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