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Governo tenta turbinar verba de propaganda em ano eleitoral

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O governo Jair Bolsonaro patrocinou uma manobra para aumentar em pelo menos 50% os gastos com publicidade oficial no ano eleitoral. Na tentativa de turbinar a campanha à reeleição do presidente, foi incluído um "jabuti" no projeto que trata da contratação de empresas de publicidade pelo Executivo. O texto enxertado altera a lei eleitoral para ampliar o limite de despesas com propaganda das ações de governo.

Pelas regras atuais, o governo só está autorizado a destinar R$ 95,6 milhões para a contratação de campanhas institucionais. Com a proposta, esse valor pode chegar a R$ 142 milhões. O Palácio do Planalto trabalha para aprovar rapidamente a proposta no Senado na próxima semana. O projeto foi aprovado na Câmara em março. O trecho que amplia os gastos em publicidade oficial entrou às vésperas da votação no plenário pelas mãos da deputada do Centrão Celina Leão (PP-DF). Como mostrou o Estadão/Broadcast, deputados ampliaram gastos para fazer propaganda de seus mandatos.

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A estratégia se apoia em monitoramentos feitos pelo governo nos quais há a indicação de que a gestão Bolsonaro não divulgou suas ações e que o eleitor não consegue identificar programas patrocinados pelo Planalto. Ministros costumam citar como exemplo o Pix, que não teve divulgação institucional pelo governo. Só recentemente, Bolsonaro e seus filhos começaram a usar as redes sociais para dizer que a medida foi promovida pelo governo federal por intermédio do Banco Central.

Violação

A mudança na lei eleitoral disfarçada pela aprovação de projeto que trata de outro tema - a contratação de agências de publicidade pelo governo - viola princípio legal que impede alterações das regras em ano de campanha. Modificações só podem ocorrer 12 meses antes da data das eleições - para valer este ano, a mudança teria de ter sido aprovada até outubro de 2021.

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"A regra foi criada para garantir isonomia entre os candidatos. Alterar isso agora seria um casuísmo para beneficiar os atuais ocupantes de mandato. Apostaria que a mudança não será reconhecida como aplicável para 2022", disse o advogado eleitoral Luiz Fernando Casagrande Pereira, que assessorou a Câmara na aprovação do novo Código Eleitoral, no ano passado.

No Senado, a oposição apresentou emenda estabelecendo que a regra de aumento nos gastos com publicidade só pode valer a partir de 2023. Foi rejeitada pelo relator e líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (PL-TO). Ele alegou que o projeto não trata exclusivamente sobre a lei eleitoral e os gastos com publicidade não dispõem sobre o processo eleitoral em si.

O argumento, porém, é questionado. "A mudança pode gerar claro desequilíbrio à competição eleitoral. Os candidatos à reeleição podem ter um enorme benefício com a alteração da lei neste momento. Isso se trata de conduta vedada aos agentes públicos", afirmou o professor de Direito Eleitoral do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) Daniel Falcão.

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O projeto que turbina os gastos em publicidade foi protocolado pelo deputado Cacá Leão (PP-BA), um dos líderes do Centrão, em novembro de 2021, mas tratava apenas sobre as regras para a contratação de propaganda. O aumento do limite de gastos entrou na proposta com o parecer de Celina Leão, aprovado no dia 16 de março. No relatório, a deputada argumentou que a administração pública reforçou campanhas relacionadas à covid-19 e ficou com recursos insuficientes para divulgar ações de outras áreas.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, negou, em entrevista ao Estadão/Broadcast, ter tido conhecimento do plano do governo para aumentar os gastos com publicidade. "Eu não tive nenhuma reunião com o governo em relação a isso. Eu não estou ciente dessa informação. Se o governo tivesse altamente interessado, teria me convocado para reunião, pelo menos a Casa Civil", declarou o ministro. Procurada, a Secretaria-Geral da Presidência não se manifestou.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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