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França acena a Bolsonaro e PDT cogita veto a aliança

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A ida do ex-governador paulista e pré-candidato a prefeito da capital pelo PSB, Márcio França, a um evento com o presidente Jair Bolsonaro, na sexta-feira passada, em São Vicente, constrangeu o PDT e ameaça uma aliança entre os partidos em São Paulo. Sem citar nomes, o presidente do PDT, Carlos Lupi, mandou um recado claro ontem por meio de suas redes sociais.

"O PDT não irá tolerar pré-candidato vinculado ao bolsonarismo. Se houver algum caso, terá sua pré-candidatura suspensa. Estaremos atentos se houver qualquer denúncia", escreveu o dirigente.

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O post de Lupi também foi interpretado como um contraponto ao PT, que, na semana passada, aprovou uma aliança com o prefeito de Belford Roxo (RJ), Wagner Carneiro, o Waguinho (MDB), aliado de Bolsonaro.

França participou de um evento oficial da Presidência da República em São Vicente, no litoral paulista, sua base eleitoral. Bolsonaro foi à cidade vistoriar a reforma de uma ponte cuja obra foi alvo de disputa entre o prefeito Pedro Gouvêa (MDB), cunhado de França, e o governador João Doria (PSDB).

O pré-candidato do PSB foi convidado na véspera pelo próprio Bolsonaro por meio de uma chamada de vídeo para o celular de Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) - e atualmente um dos principais aliados do Palácio do Planalto no Estado.

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Na chamada, França disse que está arrecadando donativos para os moradores de Beirute, capital do Líbano, abalada por uma série de explosões na região portuária, na semana passada. Bolsonaro se comprometeu a conseguir um avião para transportar o material. A mulher de França, Lúcia, é descendente de libaneses.

O encontro, no entanto, foi interpretado como um sinal político. O ex-governador de São Paulo usa como referência para sua estratégia de campanha o mapa dos votos que obteve na capital no 2° turno da disputa para o governo.

O pessebista venceu com folga nas franjas da cidade e avançou sobre o eleitorado "azul do centro", que, historicamente, vota contra o PT. Para atrair o eleitor bolsonarista, França vai repetir a estratégia de resgatar sua bandeira de campanha do alistamento cívico ao mesmo tempo em que já se coloca como o candidato "anti-Doria".

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O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, disse que foi avisado previamente por França do encontro e rechaçou de forma veemente que exista uma aproximação entre França e Bolsonaro.

Sectarismo. "Isso é completamente improcedente. Ele (França) estava junto com a comunidade libanesa (Skaf também é descendente de libaneses) e queria tratar de uma questão humanística. Não tem nada mais do que isso e nem poderia ter. Não há nenhuma identidade que possa nos aproximar", declarou o presidente do PSB.

Segundo ele, o fato de França ter aceitado o convite de Bolsonaro "não significa nada". "Minha preocupação com isso é zero. Acho que é especulação daqueles que estão com receio de disputar com ele. Este tipo de sectarismo já foi faz muito tempo."

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Dois senhores. O episódio animou o PCdoB - cujo pré-candidato em São Paulo é o deputado federal Orlando Silva - a tentar uma aproximação com o partido do ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes.

O PCdoB viu no gesto de França uma chance. "Márcio França não pode servir a dois senhores. Ele está, como dizia Brizola, costeando o alambrado. Se tem um tema de convergência no campo democrático é a crítica ao Bolsonaro", disse o pré-candidato do PCdoB, Orlando Silva.

Presidente municipal do PDT e pré-candidato a vice na chapa de França, Antonio Neto minimizou. "Não houve intenção de fazer um gesto político. França é, com certeza, um pré-candidato de centro esquerda", disse Neto. "Em 2012, o PCdoB não se importou quando (Paulo) Maluf apoiou (Fernando) Haddad."

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As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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