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Flávio Bolsonaro conversou com Vorcaro quando investigações sobre o Master já eram públicas

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência conversava com o banqueiro Daniel Vorcaro quando as investigações da Polícia Federal (PF) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre as fraudes do Banco Master já eram de conhecimento público.

Nesta quarta-feira, 13, foram reveladas mensagens por escrito e áudio dos contatos de Flávio com o banqueiro pelo site Intercept Brasil. O Estadão confirmou com fontes que têm acesso à investigação que os diálogos são autênticos. O próprio Flávio admitiu os pedidos e defendeu se tratar de "patrocínio".

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Segundo a reportagem do Intercept, no dia 16 de novembro de 2025, o senador pediu dinheiro para o banqueiro para pagar despesas com o filme Dark Horse, que trata da vida de seu pai, Jair Bolsonaro (PL):

"Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está em um momento muito decisivo do filme e como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, preocupado", diz Flávio no áudio divulgado. Nas mensagens, Flávio Bolsonaro escreve ainda a Vorcaro: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs".

Essa conversa aconteceu três meses após as investigações sobre as fraudes do Master virem à tona. Conforme revelou o Estadão, no dia 20 de agosto de 2025, uma investigação da CVM apontou pela primeira vez a suspeita de crimes financeiros na gestão do Master, por meio de investimentos milionários fraudulentos que inflaram o patrimônio da instituição e permitiram o aporte de recursos em empresas vinculadas à família de Vorcaro.

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No dia 30 de setembro de 2025, a Polícia Federal abriu um inquérito para apurar suspeitas de crimes envolvendo a gestão do Banco e a tentativa de compra pelo Banco de Brasília (BRB) - que já havia sido rejeitada pelo Banco Central no início do mês. O tema foi noticiado pela mídia nacional.

Cerca de dois meses depois, Flávio contatou Vorcaro para "cobrar" os pagamentos para a produção do filme. No dia seguinte a essa conversa, em 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso por suspeita de operações fraudulentas envolvendo o banco. O Master foi liquidado no dia 18 de novembro de 2025.

Os áudios e as mensagens das conversas de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro fazem parte da extração do conteúdo do primeiro telefone celular do banqueiro, apreendido pela PF na primeira fase da Operação Compliance Zero.

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Segundo a reportagem, teria havido uma negociação para que Vorcaro ajudasse a produção do filme com uma contribuição equivalente a US$ 24 milhões e que já teriam sido feitos pagamentos até 2025 no valor de US$ 10 milhões. O Estadão confirmou que esses valores estão referidos nos documentos contidos na investigação do caso Master. Segundo a reportagem, as negociações para que Vorcaro bancasse o filme foram feitas por Flávio e outros intermediários, como o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro.

No final da manhã desta quarta, o senador foi questionado por um repórter do Intercept quando o político deixava o STF após encontro com o presidente da Corte, Edson Fachin. O parlamentar disse ser "mentira" que o filme Dark Horse, que conta a história de Jair Bolsonaro, tenha tido o financiamento do banqueiro Daniel Vorcaro.

No final da tarde, o senador divulgou uma nota para defender a instauração de uma CPI do Banco Master. "É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet", diz a nota.

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O senador admite que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, 'quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro". "O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem", escreveu.

Na nota, o senador ainda vincula o escândalo à gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele afirma que "isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ", diz a nota de Flávio.

Em março deste ano foi noticiado que o cunhado de Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel havia feito uma doação de R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro. Na ocasião, Flávio afirmou à CNN que "a conta do Banco Master está longe de chegar perto da direita".

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