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FBSP: Projeto sobre PMs é 'faca no pescoço de governadores para o 7 de setembro'

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Previsto para ser votado nesta terça-feira, 2, na Câmara dos Deputados, o projeto de lei que institui a lista tríplice para escolha de comandantes-gerais da Polícia Militar (PM) foi retirado da pauta após reações negativas. Na avaliação do presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), Renato Sérgio de Lima, o texto é uma "faca no pescoço" de governadores para o 7 de setembro, uma forma de pressioná-los sobre a adesão de policiais às manifestações.

"Bolsonaro fez uma fala, deu a senha para isso, disse que as Forças Armadas e suas forças auxiliares vão participar do 7 de setembro", argumenta Lima. Segundo o presidente da FBSP, neste ano, a incerteza sobre o que acontecerá nos atos é muito maior, e há risco de ruptura e violência política.

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Na prática, o PL 164/2019 determina que a escolha dos comandantes-gerais da PM e do Corpo de Bombeiros Militar seja feita por lista tríplice, além de conferir um mandato de dois anos, permitida uma recondução ao cargo. O projeto é de autoria do deputado federal José Nelto (PP-GO).

"Esse projeto tem uma função muito mais de fazer pressão política do que solucionar um problema estrutural das carreiras dos policiais", afirma Lima.

Segundo o diretor do FBSP, o projeto de Lei constituiria uma "espécie de autonomização da polícia" sob a justificativa de independência, o que ele argumenta ser inconstitucional. Isso porque, as polícias se diferem das instituições de Justiça, por exemplo.

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"A polícia está vinculada à hierarquia e à disciplina porque é uma instituição armada de força", afirma. "Não é possível ela ter independência e autonomia, ela precisa estar sob controle civil", diz.

Instabilidade

A pouco mais de um mês para os atos de 7 de setembro - que no ano passado foram marcados por manifestações do presidente Jair Bolsonaro (PL) com ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e descredibilização, sem provas, das urnas eletrônicas e do processo eleitoral -, a expectativa de como as instituições irão se posicionar permanece uma incógnita. Para este ano, Bolsonaro já afirmou que as Forças Armadas estarão presentes "ao lado" de seus apoiadores nos atos.

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Para Lima, o projeto de Lei é uma forma de dizer que os policiais poderão se envolver em situações de tensão no 7 de setembro. "Há o fator do imponderável, de uma briga, de uma situação de um conflito, de uma exacerbação da violência", diz o presidente do FBSP.

No ano passado, o Ministério Público recomendou que fosse proibida a participação de policiais da ativa em manifestações pró-Bolsonaro em Brasília e em mais seis Estados. "Uma coisa é o policial que tem liberdade de expressão enquanto cidadão, outra é quando ele vestiu a farda e se torna policial, porque aí ele representa o Estado", afirma Lima.

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