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Em vídeo antissemita, sociólogo Jessé Souza diz que Epstein foi financiado pelo 'lobby judaico'

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O sociólogo Jessé Souza publicou um vídeo com teor antissemita nas redes sociais no qual afirmava que o bilionário Jeffrey Epstein foi financiado pelo "lobby judaico". As afirmações foram condenadas pela Confederação Israelita do Brasil (Conib), que disse ser lamentável que o sociólogo use sua projeção acadêmica como plataforma para disseminar "conceitos carregados de ódio contra judeus".

No vídeo, Jessé Souza afirmava que Epstein, condenado por pedofilia e acusado de liderar uma rede de tráfico e exploração sexual de menores de idade, "é o produto mais perfeito do sionismo judaico" e o "melhor reflexo do supremacismo racial judaico e sionista".

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Em outro trecho, ele disse ainda que "assim como Israel, Epstein matava e violava meninos e meninas, americanos e de outros lugares, por uma autorização tácita e às vezes explícita do poder do lobby judaico no mundo", sem apresentar nenhuma prova para suas afirmações.

Após a repercussão negativa, Souza excluiu o vídeo original e publicou um novo no qual pede desculpas por não ter separado "devidamente os lobbies sionista e judaico". "Mas mantenho todo o resto. Epstein não é um caso isolado, mas sim um filho dileto do sionismo como ideologia racista e assassina", declarou.

Em uma nota divulgada no final da tarde desta terça-feira, 10, Jessé Souza repudiou todas as formas de discriminação e disse que não acusou indivíduos ou coletividade, mas uma "estrutura de poder". Ele voltou a afirmar que errou ao não diferenciar os lobbies sionista e judaico, acrescentando que por isso lamenta o episódio.

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O sociólogo finalizou o texto manifestando indignação contra o que chamou de "completo silêncio durante dois anos do genocídio palestino". Declarou ainda que isso só pode ser compreendido "se temos uma estrutura de chantagens que dura décadas com o fito de silenciar todo mundo".

Para a Conib, Souza culpou os judeus, grupo étnico-religioso, pelas ações de Epstein, atribuindo responsabilidade coletiva às ações de um individuo.

"Flagrado, retirou o conteúdo do ar e o substituiu por um novo ataque aos judeus, agora demonizando 'apenas' os sionistas (termo que se refere à defesa da autodeterminação do povo judaico e o direito a um Estado)", disse a entidade.

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A série de vídeos de Jessé de Souza é mais uma evidência de como o antissemitismo, sempre mutante ao longo de séculos, encontrou no antissionismo sua melhor versão contemporânea", finalizou a Conib.

Jessé Souza foi presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) durante o segundo mandato de Dilma Rousseff. Ele também foi autor de diversos livros, como "A Classe Média no Espelho" e "A Elite do Atraso: da Escravidão à Lava Jato".

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