Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--
Política
publicidade
POLÍTICA

Crime impacta saúde mental

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

Há seis meses, o pesquisador Pedro Senger, de 25 anos, trabalha em casa por causa da pandemia de covid-19. Quando precisa ir presencialmente ao emprego sai de casa às 8h e caminha por 10 minutos. Neste horário, a encarregada de limpeza Vandersilva Simeão Pedro, de 54, está iniciando a terceira hora de trabalho. Para chegar às 6h ao serviço, ela passa por ruas escuras até chegar a um ponto de ônibus mais seguro. Isso, às 4h.

Segurança pública é competência dos governos estaduais, mas há políticas municipais que têm capacidade de prevenir o crime e aumentar a sensação de segurança dos moradores. Em São Paulo, ao menos duas delas são essenciais: iluminação pública e zeladoria.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

Vandersilva sai com tanta antecedência de casa porque tem medo de esperar pelo ônibus no ponto mais próximo. Já foi assaltada ali, em 2015, e não se arrisca mais. Prefere caminhar por quase 1 km, passando por terrenos baldios, pontos de venda de drogas e trechos escuros.

Vivenciar traumas, como assaltos, pode desencadear uma série de doenças psíquicas. A lista inclui transtorno de ansiedade, crises de pânico ou depressão, como explica a psiquiatra Caroline Argento.

"É muito comum pacientes que passam por uma situação de violência entrarem em um quadro depressivo, no qual ficam com medo até de sair de casa. E isso repercute em várias situações, inclusive econômicas, pois essa pessoa não consegue trabalhar", disse. Segundo Caroline, a saúde mental está diretamente relacionada ao acesso à segurança.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

E o problema não decorre, necessariamente, da falta de policiamento. A 5 km da casa de Vandersilva, por exemplo, há um batalhão da Polícia Militar. Para a diretora executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, o que o bairro precisa é de espaços de convivência. "Isso significa investir em infraestrutura e zeladoria urbana, especialmente em regiões periféricas."

Segundo a especialista, a iluminação pública, a poda de árvore e o recolhimento de lixo, por exemplo, geram um ambiente adequado às pessoas.

Em Higienópolis, onde mora Pedro, andar na rua de madrugada não é um problema. A 1 km de seu apartamento, na Avenida Angélica, há um batalhão da PM. E, mais que isso: todo o entorno é iluminado.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"É fundamental que o Estado garanta aos cidadãos a possibilidade de ir e vir com segurança, pois quando tiramos esse direito geramos situações de estresse que podem, sim, desencadear doenças", diz Carolina.

Ter uma rotina de trabalho próxima à moradia é o conceito da "cidade de 15 minutos", ilustrada nesta série de reportagens do Estadão a partir das histórias de Pedro e Vandersilva. Moradores da mesma cidade, eles têm realidades totalmente distintas.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que nos sete primeiros meses deste ano as regiões de Vandersilva e Pedro registraram quedas nos índices de roubo e furto, se comparados com o mesmo período do ano passado. Onde a encarregada de limpeza mora, os números caíram 8,2% e 43%, respectivamente. No caso do educador físico, 30% e 15%. Já o Departamento de Iluminação Pública (Ilume) informou que fez vistoria na Vila Missionária e substituiu as lâmpadas queimadas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Pobreza

A região conhecida como cracolândia, na Luz, não é mais o único local de consumo da drogas no centro. A cerca de 300 metros do prédio onde mora Pedro, grupos de usuários costumam se reunir na Praça José Molina. Ali, há também moradores de rua.

De acordo com a Prefeitura, a cidade tinha 24.344 pessoas em situação de rua em 2019. Isso antes de a pandemia de covid-19 elevar o desemprego e, consequentemente, a pobreza. Parte dessa população mais vulnerável vive no centro, ocupando calçadas, viadutos ou marquises de prédios.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quando caminha a pé até o trabalho, ou quando passeia pela Avenida Paulista, o pesquisador só usa o celular em situações de emergência. "Precisa tomar muito cuidado, até para evitar roubo. Nunca fui assaltado, mas diversos amigos já."

A cautela tem justificativa. Segundo estudo realizado pela Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), a via foi a campeã em roubos de celular no Estado durante o primeiro semestre, com 215 casos.

Quem vencer as eleições em novembro não poderá ampliar o efetivo na Paulista, mas comandará a Guarda Civil Metropolitana. Criada em 1986 com 150 agentes, a GCM tem hoje 6 mil guardas, que andam armados e podem prender em flagrante. Especialistas lamentam que o órgão tenha perdido seu caráter comunitário.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"O armamento da GCM e a reprodução da lógica da Polícia Militar acabam piorando a sensação de segurança em bairros da periferia", afirma o pesquisador Bruno Paes Manso, do Núcleo de Estudos da Violência da USP. "Há um grande problema em relação à violência policial, que se dá principalmente contra jovens, negros e moradores de bairros periféricos. E quando o Estado é visto como inimigo, o crime se fortalece, pois cria uma revolta naquelas pessoas." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Política

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV