Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Política

publicidade
POLÍTICA

Com bolsonaristas, escola do MP promove curso sobre 'ativismo judicial'

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

A Escola Superior do Ministério Público da União (ESMPU) começou a promover nesta segunda-feira, 24, um curso sobre "ativismo judicial" no Brasil. As aulas estão sendo ministradas por promotores, advogados e juízes ligados a movimentos que apoiam o presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição. O objetivo do curso é mostrar que "o ativismo judicial e ministerial e a juristocracia colocam em risco a democracia".

Serão, ao todo, 12 horas de aula a distância, até o dia 27 de outubro. A descrição do curso apresenta como justificativa "a necessidade de análise do ativismo judicial, ministerial e da juristocracia para estudo de suas consequências".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

O orientador responsável é o promotor de Justiça Militar Adriano Alves-Marreiros, crítico da esquerda. Todos os convidados são alinhados às críticas ao Supremo Tribunal Federal. Parte deles integra grupos e promove atividades para difundir ideias do conservadorismo e de direita no meio jurídico. Alguns fazem publicações de apoio a Bolsonaro.

O curso é realizado no momento em que integrantes do governo falam abertamente em frear a atuação de integrantes das Cortes Superiores, como o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, também ministro do Supremo. Em setembro, a escola promoveu curso que versava sobre "a desmilitarização da polícia e outros equívocos" e citava uma suposta "policiofobia da imprensa". O promotor Marreiros também era o orientador responsável.

AULAS

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Além dele, ministrarão aulas os juízes Harley Wanzeller Couto da Rocha, do Tribunal Regional do Trabalho da 8.ª Região, e Ludmila Lins Grilo, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Ambos são admiradores do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e da obra do escritor Olavo de Carvalho, que foi um dos gurus ideológicos de Bolsonaro.

A juíza é investigada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). No mês passado, a corregedoria nacional abriu um processo disciplinar contra ela para apurar as relações com o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, foragido nos Estados Unidos. Ela já teve redes sociais bloqueadas e virou alvo do CNJ também por publicações depreciativas sobre decisões do Supremo. Ludmila foi punida antes com advertência por incentivar aglomeração durante a pandemia da covid-19.

Também vão falar o procurador de Justiça do Rio Marcelo Rocha Monteiro; a promotora de Justiça do Paraná Claudia Rodrigues de Morais Piovezan, crítica da "nova ordem mundial" e do inquérito das fake news no STF; Isabelle Cristina Santos Monteiro, advogada e defensora do ensino doméstico, o homeschooling, bandeira bolsonarista; e o procurador da República Cleber de Oliveira Tavares Neto.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em recente publicação, Neto se referiu ao senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), coordenador da campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Palácio do Planalto, como "senador-PGR ad hoc". A crítica foi motivada pelo fato de o parlamentar ter solicitado a Moraes quebras de sigilo na operação contra empresários bolsonaristas que defenderam, em grupo de WhatsApp, um golpe de Estado em caso de uma vitória de Lula.

APERFEIÇOAMENTO

O curso é apresentado como atividade de aperfeiçoamento e oferecido a profissionais do Direito e ao público externo. Conforme proposta do orientador, deveria ser divulgado a integrantes dos ministérios públicos, universidades, polícias, bombeiros e Forças Armadas. As palestras têm como público-alvo, além de membros e servidores do MP, militares federais e estaduais, policiais, estudantes de Direito e cidadãos em geral.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O curso foi aprovado pelo diretor-geral da Escola Superior, o subprocurador-geral Alcides Martins, indicado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras. Havia 290 vagas disponíveis. Um total de cem vagas foi reservado para o Ministério Público Federal, Ministério Público Militar, Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, Conselho Nacional do Ministério Público e Ministérios Públicos estaduais.

PLURALIDADE

O Estadão/Broadcast indagou a Escola Superior sobre os critérios de escolha da pauta e dos palestrantes e sobre os custos envolvidos. Segundo a ESMPU, a oferta acadêmica da instituição adota processos "colaborativos e descentralizados" para o planejamento, "com a preocupação de promover a ampliação temática, a pluralidade de ideias e a universalização do ensino". A proposta de atividades acadêmicas passa por análise da Coordenadoria de Educação Continuada, por coordenadores de ensino e pelo crivo final, uma deliberação do Conselho Administrativo (Conad), instância máxima de governança da instituição.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo a assessoria da Escola Superior, "a escolha dos docentes e dos capacitadores fica a cargo do orientador pedagógico, proponente da atividade acadêmica em questão". Eles são remunerados por hora-aula. Os valores variam entre R$ 300 e R$ 600.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Política

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV