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Bolsonaro volta a defender armas e diz que resolverá decretos depois das eleições

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O presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição pelo PL, voltou a defender o armamento dos cidadãos três dias depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria para confirmar a decisão do ministro Edson Fachin que suspendeu trechos de decretos editados pelo seu governo para flexibilizar o acesso da população civil a armas e munições. Sem citar o STF, ele disse que vai rever "a questão dos decretos" depois das eleições.

Em comício, na manhã deste sábado, 24, em Campinas, interior de São Paulo, ele puxou o coro de "povo armado jamais será escravizado" e atribuiu a defesa pelo desarmamento a seus adversários. "Do lado de cá tem alguém que diz que temos direito ao sagrado direito da defesa; do lado de lá um ladrão que tenta desarmar o cidadão de bem. Após as eleições resolverei a questão do decreto das armas para vocês", afirmou.

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Ignorando as denúncias de corrupção em seu governo, como as que envolveram a compra de vacinas pelo Ministério da Saúde, o caso das rachadinhas e a compra de 51 imóveis em dinheiro vivo pela família Bolsonaro, ele disse que chegou a três anos e oito meses de governo sem denúncia. "Acusam-me de tudo, mas nunca me chamam de corrupto. Sim, eu digo palavrão, mas não sou ladrão", disse, referindo-se ao seu principal adversário. "Se precisar lutar contra essa quadrilha do Lula, nós lutaremos e repito, povo armado jamais será escravizado", repisou.

A uma semana do primeiro turno das eleições e estacionado em segundo lugar, Bolsonaro deu mostras de que vai para o tudo ou nada. Além de chamar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT, de ladrão sete vezes durante o discurso, ele acusou o ex-governador Geraldo Alckmin de roubar merenda.

Alckmin, que não foi citado nominalmente, é vice na chapa de Lula e tem cacife eleitoral no interior, um colégio eleitoral cobiçado pelos bolsonaristas. Graças aos votos em São Paulo, Lula é líder nas pesquisas e com chance de vitória no primeiro turno. "Está fácil escolher. Do meu lado, na minha chapa, dois militares (Tarcísio de Freitas, candidato a governador pelo Republicanos, e Marcos Pontes, candidato do PL ao Senado por São Paulo), dois soldados do Brasil. Do lado de lá, dois ladrões, um roubou o Brasil por 14 anos, o outro roubou merenda aqui em São Paulo por oito anos", disse.

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Desvios na merenda escolar foram investigados em 2016, durante o governo de Alckmin, mas em nenhum momento o governador foi citado nas investigações. As apurações conduzidas pelo Ministério Público de São Paulo e pelo Ministério Público Federal chegaram a um parlamentar da bancada governista da época e foram indiciados presidentes de cooperativas de produtores de alimentos no interior.

Apesar de ter se recusado a comprar vacinas no início da pandemia, Bolsonaro voltou a dizer que fez tudo certo durante a pandemia de codi-19 e que, por não ter adotado medidas restritivas para evitar a disseminação da doença, o Brasil agora "é um país condenado a dar certo". "Estamos entrando no terceiro mês com deflação, ou inflação negativa, o que não acontece em nenhum país do mundo."

Antes do comício, Bolsonaro participou de uma motociata com apoiadores pelas ruas de Campinas. O presidente candidato desfilou levando Tarcísio de Freitas na garupa da moto - ambos estavam sem capacetes. A motociata percorreu ruas interditadas pela Polícia Militar e seguiu até o Largo do Rosário, no centro, onde estava montado o palco do comício. O comércio do entorno foi obrigado a fechar as portas. A PM deslocou até um helicóptero para fazer a segurança.

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A Rodovia Prof. Zeferino Vaz (SP-332), na zona norte da cidade, foi interditada por volta das 6h30,com desvio no trânsito. A motociata se concentrou no trecho conhecido como Tapetão. Depois do comício, o presidente candidato participou de uma carreata pela cidade. Bolsonaro havia estado em Campinas pela última vez em 15 de abril, Sexta-Feira Santa, quando fez motociata pela Rodovia dos Bandeirantes até a cidade de Americana.

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