Bancada do Novo aciona TCU contra a AGU por 'censura' relacionada à 'PL da Misoginia'
Ação dos parlamentares busca suspender pedidos de remoção de posts e revisar procedimentos da PNDD
Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline
A bancada do Partido Novo na Câmara dos Deputados protocolou, nesta quarta-feira (22), uma representação no Tribunal de Contas da União (TCU) contra a Advocacia-Geral da União (AGU). O grupo questiona a legalidade das notificações enviadas pelo órgão a plataformas digitais, que solicitavam a remoção ou rotulagem de publicações críticas ao chamado "PL da Misoginia". Segundo os parlamentares, a autarquia federal teria ultrapassado limites legais ao promover medidas extrajudiciais sem assegurar o contraditório e a ampla defesa.
📰 LEIA MAIS: Apucarana tem 350 vagas de emprego nesta quinta-feira (23); confira
A representação alega desvio de finalidade na atuação da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia. Os deputados Adriana Ventura (Novo-SP), Marcel van Hattem (Novo-RS), Luiz Lima (Novo-RJ) e Gilson Marques (Novo-SC) argumentam que a ausência de um processo administrativo regular viola princípios constitucionais, como o devido processo legal e a liberdade de expressão. O grupo solicita ao TCU uma medida cautelar para suspender imediatamente tais atos administrativos.
O imbróglio teve início após a AGU notificar redes como o X sobre conteúdos que, segundo o órgão, não seriam informativos e conteriam interpretações equivocadas do Projeto de Lei nº 896/2023, que equipara a misoginia ao crime de racismo. Entre os alvos iniciais estava a jornalista Madeleine Lacsko, que acusou o órgão de censura. Embora a AGU tenha retirado a ordem de remoção específica para jornalistas, a bancada do Novo ressalta que o cerne do questionamento persiste, uma vez que a notificação permanece válida para influenciadores e outros usuários.
O projeto de lei em questão, aprovado recentemente pelo Senado, define a misoginia como "a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres" e propõe a alteração da legislação vigente para incluir o termo entre as formas de preconceito tipificadas. A proposta prevê pena de dois a cinco anos de reclusão e multa para os infratores.
📲Entre no nosso canal de notícias do WhatsApp do TN
Em nota, os parlamentares destacam que "o Estado não pode se transformar em fiscal de opiniões nem perseguir quem pensa diferente". O Estadão entrou em contato com a AGU para comentar a representação, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações do órgão.