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Armínio Fraga desiste de anular voto e declara apoio a Lula

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O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga disse ontem que vai apoiar o candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto. O sócio da Gávea Investimentos afirmou que a margem de 6 milhões de votos entre Lula e o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) no primeiro turno é insuficiente.

"Vou declarar apoio a Lula. Pensei em anular (o voto) para indicar pouca confiança nos dois finalistas, pensando nas oportunidades desperdiçadas pelo PT no poder. Não vejo uma margem suficiente e, como já disse, os riscos aumentaram", declarou Armínio.

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Crítico da gestão Bolsonaro, Armínio foi peça fundamental no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), à frente do Banco Central. Ele avaliou como "muito otimista" a reação do mercado anteontem, com a disparada das ações de estatais depois da eleição de um Congresso amplamente conservador e o desempenho de Bolsonaro nas urnas melhor do que mostravam as pesquisas de intenção de voto.

Armínio respondeu por e-mail aos questionamentos do Estadão/Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, e se mostrou preocupado com a indefinição do cenário eleitoral polarizado entre os dois candidatos e chamou a atenção para a governabilidade em eventual vitória de Lula. "Tenho sido muito crítico do atual governo. Com mais poder no Congresso, minhas preocupações aumentaram ainda mais. E, em caso de uma vitória de Lula, vai ser difícil governar."

Falta de propostas

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A ausência de um debate de propostas dos candidatos à Presidência incomoda o economista. Na antevéspera da votação em primeiro turno, o debate da TV Globo que reuniu sete candidatos ao Planalto foi marcado por troca de ofensas e a apresentação de propostas ficou em segundo plano.

"Faz falta aprofundar os debates sobre temas políticos, sociais e econômicos. Sobre tudo, na verdade", disse Armínio. Questionado sobre qual tema considera com potencial para se transformar num divisor de águas para eleitores ainda indecisos, ele destacou a defesa da manutenção do estado democrático. "Para o eleitorado, confesso que não sei. Para mim, a garantia de que a qualidade da nossa democracia não será prejudicada."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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