Vereadora que mandou colega "voltar para o Ceará" enfrenta quatro pedidos de cassação em Curitiba
Tathiana Guzella (PL) disse para Vanda de Assis (PT) voltar ao seu estado de origem; parlamentar nega teor xenofóbico
Quatro pedidos de cassação de mandato foram protocolados na Câmara Municipal de Curitiba contra a vereadora Tathiana Guzella (PL). A parlamentar é acusada de quebra de decoro por falas apontadas como xenofóbicas após mandar a colega de plenário, Vanda de Assis (PT), "voltar para o Ceará" durante a sessão da última quarta-feira (5). O balanço das representações foi divulgado no final da tarde desta quinta-feira (6).
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Os pedidos de investigação ético-disciplinar que solicitam a perda do mandato são de autoria da própria Vanda de Assis, do Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (CAAD), dos advogados Lincoln Machado Domingues e Matheus Miranda Guérios, além de uma quarta representação de autoria ainda não confirmada. As petições alegam que as declarações de Tathiana foram ofensivas e atingiram a dignidade da parlamentar petista, que é natural da cidade cearense de Campos Sales, em razão de sua origem regional.
O episódio ocorreu durante a discussão de um projeto sobre o Cadastro Único para Pessoas em Situação de Rua. Na ocasião, Tathiana questionou a origem da colega ao microfone: "Se a senhora gosta tanto de elogiar o PT, a atuação do PT, dos partidos correlatos ao PT, por que a senhora não volta para o Ceará? Por que a senhora veio para cá?". Em seguida, ela completou: "A senhora nasceu lá, mas vem encher o saco aqui". A fala gerou reação imediata de Vanda, que rebateu as declarações no plenário: "Isso é xenofobia. Isso é xenofobia, vereadora".
Conforme o Regimento Interno do Legislativo curitibano, as representações serão analisadas pela Mesa Diretora na próxima quarta-feira (12) para verificação de requisitos formais, sem julgamento do mérito em um primeiro momento. Se admitidos, os processos seguem para a Corregedoria. Como Tathiana é a atual corregedora da Casa, a condução dos trâmites caberá ao primeiro-vice-corregedor, vereador Olímpio Araujo Junior, que é do mesmo partido da acusada. A repercussão do caso também ultrapassou a Câmara: Vanda acionou o Ministério Público Federal (MPF), enquanto o CAAD informou que apresentará uma notícia-crime ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) pedindo responsabilização criminal.
Em sua defesa, Tathiana Guzella negou qualquer caráter discriminatório nas declarações e partiu para o contra-ataque. A vereadora do PL registrou um boletim de ocorrência contra Vanda por crime contra a honra e protocolou uma representação na Câmara acusando a petista de quebra de decoro parlamentar. Em nota à imprensa, Tathiana justificou que sua fala foi interrompida antes da conclusão e que a crítica era "estritamente política", direcionada exclusivamente às opções administrativas de governos de esquerda. Segundo a parlamentar, não houve intenção de proferir qualquer conteúdo discriminatório contra o povo cearense ou a população nordestina.