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Troca de figurinhas da Copa do Mundo une gerações em Apucarana e região

Álbum do mundial movimenta crianças e transporta adultos para o passado

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Troca de figurinhas da Copa do Mundo une gerações em Apucarana e região
Autor Marcelo Aoki coleciona desde 2014 - Foto: Gabriela Jacuboski

Antes mesmo de a bola rolar na Copa do Mundo de 2026, a corrida pelas figurinhas do torneio já tomou conta das bancas, escolas, grupos de WhatsApp e mesas de troca espalhadas por Apucarana (PR) e região. É o caso de Marcelo Aoki, 51 anos, técnico em informática. Ele começou a montar álbuns em 2014 para acompanhar o filho, na época com sete anos, e nunca mais parou. “Na Copa de 2018, meu filho já era adolescente e nem quis saber. Nesse ano, na primeira semana de vendas, eu estava trabalhando em Guarapuava e me ligaram de uma banca em Londrina, dizendo que tinha chegado as figurinhas, era o primeiro lugar que tinha. Eu entrei no carro, passei em Mauá da Serra, peguei um amigo meu e fomos direto para Londrina. Compramos uns 100, 150 pacotinhos cada um. Só eu completei três álbuns”, disse.

De lá para cá, a paixão só aumentou. Foram sete álbuns completados no total, sendo os dois últimos recentemente, menos de um mês após o lançamento. “Minha esposa fala que eu viro criança de quatro em quatro anos. Agora, são 994 figurinhas a um real cada figurinha. Ficou caro, mas a gente é doido”, brincou. Marcelo ainda explicou que chegou a ficar cerca de uma hora em uma fila no McDonald’s e a ir para Londrina para comprar as novas figurinhas. “Comprei duas caixas, 100 pacotinhos em cada uma. Meu amigo também comprou bastante, a gente acabou trocando e completamos o primeiro álbum em dez dias. Aí não para. Você começou a comprar vira um vício. Tem duas coisas aí: o legal é você achar as figurinhas legends [mais raras], mas o prazer de abrir um pacote de figurinhas é inexplicável. Todo mundo fala que abrir o pacotinho é diferenciado”, afirmou.

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Para ele, o ritual de trocas virou um momento de terapia e de diversão. Um espaço onde as diferenças entre as classes sociais e a idade não importam. “Você tem da pessoa mais humilde até a pessoa mais rica trocando figurinhas. Todo mundo é igual. Além disso, você também constrói um círculo de amizade. Você conhece uma pessoa que você nunca iria conhecer no seu ramo de serviço e até hoje dura essa amizade. De quatro em quatro anos, você acaba juntando todo mundo”, acrescentou.

Marcelo também explicou que o álbum da Copa atravessa gerações e encanta crianças, adolescentes e adultos. A brincadeira não tem idade. Durante as trocas, é possível observar uma criança negociando figurinhas com um senhor de 70 anos. “E os dois brigando, ninguém é bonzinho nessa história não, é um por um e troca é troca”, comentou.

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    Foto: Autor: Gabriela Jacuboski
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    Foto: Autor: Gabriela Jacuboski
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    Foto: Autor: Gabriela Jacuboski

Entre tantas copas do mundo que Marcelo participou como colecionador, uma história da edição de 2018 foi uma das mais marcantes para ele. "Um senhor de 75 anos falou que, desde pequeno, o sonho dele era trocar figurinha, mas ele não tinha condições financeiras. E, quando chegou a Copa, ele viu o neto dele fazendo e ele resolveu fazer também". Marcelo também relembrou a felicidade que este idoso ficou quando completou o álbum. “Acho que todo mundo bateu palmas porque ele ficou tão feliz de ter conseguido. E só trocando, ele quase não comprava figurinhas. Acho que ele conseguiu realizar o sonho que ele não tinha condições quando era pequeno”, afirmou.

Já o empresário e professor de Educação Física, Leonardo Rocha de Oliveira, de 41 anos, coleciona figurinhas da Copa do Mundo desde 1990, quando tinha cinco anos. “Eu não me lembro muito dessa época. Mas em 1994, eu lembro de trocar figurinhas, ir na banca, aquela emoção de comprar figurinhas e ver qual iria aparecer. Então, eu tenho todos os álbuns completos e agora estou colecionando o de 2026”, disse, ainda recordando que as figurinhas tinham que ser coladas mesmo e não apenas destacadas como é feito atualmente.


							Troca de figurinhas da Copa do Mundo une gerações em Apucarana e região
AutorFoto: Arquivo pessoal

O professor acredita que hoje há mais pessoas entusiasmadas com os álbuns do que quando ele era criança. Leonardo apontou que o saudosismo pode ser um dos principais motivos para os mais velhos continuarem a colecionar. "O que mais motiva a colecionar é essa memória afetiva. Desde o pai ajudando o filho, do pai indo junto, de você ter um tempo só para você, de você sentar, colar a figurinha. Isso remete muito à infância", acrescentou.

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Nova geração de olho nos craques

Se para os adultos a nostalgia dita o ritmo, para as crianças a emoção está na descoberta diária. Beatriz Pedrero, de apenas 9 anos, começou sua coleção própria para a Copa de 2026 há pouco tempo. "Está sendo legal, mas difícil de conseguir as figurinhas raras", avaliou a garota.

A figurinha mais desejada por ela, inclusive, não é de um jogador da Seleção Brasileira. Ela revelou que sua preferência na busca pelos pacotinhos é o craque português Cristiano Ronaldo. "Porque é um pouco rara e também é o meu jogador segundo favorito", justificou, lembrando que o primeiro lugar de sua torcida vai para o brasileiro Neymar.

Esta é a primeira vez que Beatriz é a verdadeira "dona" do álbum. "A outra vez foi em 2022, mas o álbum era da minha irmã. Eu só ajudava ela a colar. Agora, meu avô, minha avó e meu pai estão me ajudando", concluiu.

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AutorFoto: Gabriela Jacuboski


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