Secretaria de Educação do Paraná determina vistoria em escolas após caso de câmeras em banheiros
Medida foi anunciada após descoberta de dois equipamentos em sanitários de colégio cívico-militar de Cambé

A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) determinou que zeladores dos núcleos regionais de educação iniciem, nesta sexta-feira (23), vistorias nos colégios estaduais para verificar a existência de câmeras instaladas em banheiros. A medida ocorre após a descoberta de dois equipamentos de filmagem nos sanitários do Colégio Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé, no Norte do Paraná. O caso também resultou no afastamento de quatro profissionais da instituição.
LEIA MAIS: O gato que virou o ‘quarto diretor’ de colégio em Apucarana (PR)
A primeira câmera foi descoberta por uma estudante na segunda-feira (19), no banheiro feminino. O equipamento foi apreendido pela Polícia Civil. Na quinta-feira (22), os policiais recolheram um segundo aparelho, instalado no banheiro masculino.
Após a denúncia, a Secretaria da Educação solicitou, na quarta-feira (21), o afastamento da diretora e do vice-diretor do colégio. No dia seguinte, dois policiais militares que atuavam na instituição também foram afastados de suas funções.
A pasta publicou ainda a Resolução nº 5.206/2026, que proíbe a instalação e o uso de câmeras em banheiros e vestiários das escolas estaduais, incluindo equipamentos posicionados externamente que permitam captar imagens desses ambientes. O descumprimento poderá resultar em responsabilização administrativa, civil e penal.
O Ministério Público do Paraná também abriu apuração sobre o caso, conduzida pela 4ª Promotoria de Justiça de Cambé. A investigação abrange as esferas cível e criminal, mas o órgão não informou quais possíveis crimes estão sendo analisados nem estabeleceu prazo para a conclusão dos trabalhos.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pelas estudantes, há suspeita de que o equipamento estivesse instalado no banheiro feminino havia aproximadamente três anos. Segundo os relatos, a direção teria informado anteriormente que se tratava de um sensor de fumaça.
Uma das estudantes, Alessa Gabriele, relatou à RPC que os alunos desconheciam a existência das câmeras e que os responsáveis não haviam autorizado a captação de imagens nos sanitários. "Eu me senti invadida, porque é o meu corpo que estavam vendo. Eu mesma já troquei de roupa diversas vezes no banheiro", afirmou a estudante.
Em comunicado à comunidade escolar, a direção do colégio confirmou a instalação dos equipamentos, mas negou que fossem captadas imagens das cabines sanitárias. Segundo a instituição, as câmeras estavam direcionadas às portas de entrada dos banheiros masculino e feminino, com a finalidade de monitorar os acessos e contribuir para a segurança. A administração também informou que investigaria o acesso não autorizado de um estudante ao sistema de monitoramento e classificou como vandalismo a retirada dos equipamentos.
Em nota, a Secretaria da Educação afirmou que a instalação de câmeras em locais que comprometam a intimidade e a privacidade dos estudantes não é permitida na rede estadual. A pasta informou ainda que instaurou uma comissão para apurar as circunstâncias do caso e encaminhou uma equipe multiprofissional para atender os estudantes e a comunidade escolar. Segundo a Seed-PR, uma vistoria realizada na quarta-feira (21) no colégio de Cambé não encontrou câmeras nos banheiros. A informação se refere à inspeção realizada após a descoberta do primeiro equipamento.
