Sanepar inicia reembolso a moradores de Ponta Grossa por água com gosto e cheiro ruins
Requerimento deve ser feito presencialmente com apresentação de notas fiscais; companhia também pagará R$ 5 milhões de indenização aos cofres públicos

A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) começou a ressarcir os moradores de Ponta Grossa pelas despesas geradas durante a crise de abastecimento ocorrida no início de 2026, quando a água encanada apresentou gosto e cheiro ruins. A medida é o resultado direto de um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público do Paraná e homologado no dia 11 de agosto. O acordo prevê ações de reparação de danos materiais e morais causados à população afetada pelo problema.
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O reembolso é destinado exclusivamente aos usuários que conseguirem comprovar os prejuízos materiais, como os gastos emergenciais com a compra de água mineral. Para ter direito à devolução, o consumidor deve apresentar recibos ou notas fiscais emitidos entre 26 de janeiro e 28 de fevereiro de 2026. O requerimento precisa ser feito presencialmente em uma das duas centrais de relacionamento da empresa na cidade, localizadas no Centro e na região do bairro Santa Paula. Após a abertura do pedido, o ressarcimento será efetuado em até 30 dias na conta bancária informada pelo cliente.
Além do pagamento direto aos consumidores, o documento estabelece que a Sanepar repasse uma indenização de R$ 5 milhões ao Fundo Municipal de Direitos Difusos de Ponta Grossa. O montante refere-se à reparação por danos morais coletivos e individuais homogêneos, e os recursos devem ser aplicados obrigatoriamente em projetos e programas voltados para as áreas de educação, proteção e defesa do consumidor. A companhia também assumiu a obrigação de manter o monitoramento contínuo da qualidade da água no município. Caso seja detectada qualquer alteração nos padrões de potabilidade ou aceitação, a empresa terá um prazo de cinco dias para comunicar o fato e apresentar um relatório técnico detalhado ao Ministério Público, à Agência Reguladora do Paraná e à Vigilância Sanitária Municipal, sob pena de aplicação de multa.
A crise hídrica que motivou o acordo ocorreu entre janeiro e março, quando a população relatou alterações perceptíveis no sabor e no odor da água. A Sanepar justificou a situação apontando um aumento atípico na quantidade de algas na represa de Alagados, fenômeno desencadeado por um longo período de chuvas abaixo da média aliado a temperaturas elevadas na região. No início de março, um problema adicional gerou novas reclamações, quando os moradores registraram água com coloração alaranjada e marrom saindo das torneiras, episódio que a companhia atribuiu ao rompimento de uma rede de distribuição, solucionado em dois dias. Atualmente, a Sanepar assegura que as medidas de controle do impacto das algas foram bem-sucedidas, que o abastecimento em Ponta Grossa opera dentro da normalidade e que a água fornecida atende a todos os parâmetros de segurança estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
