"Resgate mal feito": mãe de advogada ferida em incêndio no PR critica bombeiros
Dias após a advogada Juliane Vieira sofrer ataques por questionar o protocolo dos bombeiros em um resgate, Sueli Vieira se manifestou sobre o caso
A mãe da advogada Juliane Vieira, que teve 63% do corpo queimado durante um incêndio em Cascavel (PR), divulgou um vídeo nas redes sociais para defender a filha de ataques virtuais (assista acima). Em outubro de 2025, a jovem se pendurou no suporte de ar-condicionado do lado externo do prédio em que a família morava, no 13º andar, e conseguiu retirar a mãe, Sueli Vieira, de 51 anos, e o primo, de 4 anos, pela janela do apartamento em chamas. O resgate de Juliane, no entanto, teve que ser feito por dentro do apartamento.
A manifestação ocorreu uma semana após Juliane criticar publicamente o resgate realizado pelo Corpo de Bombeiros e afirmar que pretende processar o Estado. As declarações da advogada dividiram opiniões na internet e geraram ofensas, o que motivou a mãe, Sueli, a pedir mais empatia e a repudiar mensagens agressivas que chegavam a desejar a morte da jovem.
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No vídeo, Sueli reforçou as críticas da filha ao atendimento prestado pelas equipes de socorro. Ela classificou a ação do Estado como uma tentativa de encobrir um resgate mal executado e questionou duramente a eficácia dos protocolos seguidos pela corporação. A mãe argumentou que o Corpo de Bombeiros local não dispunha de uma escada adequada para a operação, destacando ainda a gravidade das lesões e o sofrimento diário enfrentado por quem lida com queimaduras severas, rebatendo os julgamentos de pessoas que não acompanham a recuperação de perto. “O Estado tentou encobrir um resgate muito mal feito, uma 'cagada' muito mal feita, mas a minha filha sobreviveu pra lutar contra esses protocolos que vocês dizem que seguem, protocolos que são uma 'merda'”, disse Sueli.
O Governo do Estado ainda não se manifestou oficialmente sobre o assunto.
Relembre o caso
O incêndio ganhou repercussão nacional devido à coragem de Juliane durante o incêndio no apartamento da família, localizado no 13º andar do edifício. Para escapar das chamas, a advogada se pendurou no suporte do ar-condicionado pelo lado de fora e conseguiu salvar a mãe e um primo de quatro anos, repassando-os de volta para um local seguro. O resgate de Juliane, no entanto, precisou ser realizado pelos bombeiros por dentro do apartamento em chamas, momento em que ela sofreu as queimaduras, mesmo tendo sido protegida por um cobertor.
À época do acidente, um dos militares envolvidos na operação justificou que a retirada pelo interior do imóvel era a única alternativa viável naquele cenário. Segundo a corporação, o fogo estava em estágio muito avançado e não haveria tempo hábil para montar um sistema de resgate externo pela janela, o que tornaria a manobra ainda mais arriscada.
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Juliane ficou três meses internada e, atualmente, faz fisioterapia para se recuperar. Já Sueli teve queimaduras no rosto e nas pernas e ainda teve as vias respiratórias queimadas, chegando a ficar 11 dias internada no Hospital São Lucas, em Cascavel. O primo de Juliane também inalou fumaça e teve queimaduras nas pernas e nas mãos. Ele ficou 16 dias internado em Curitiba.
Dois bombeiros tiveram ferimentos em decorrência do incêndio, com queimaduras nos braços, nas mãos e em parte das costas e tiveram que passar por atendimento médico.