Preso injustamente por assassinato de avó e neta no PR pede R$ 500 mil de indenização
Reginaldo passou mais de 40 dias na cadeia, acusado de crime bárbaro que ocorreu no ano passado; ele só foi solto após real assasino confessar o crime
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Reginaldo Aparecido dos Santos, 43 anos, conhecido como Javali, que ficou 43 dias preso injustamente sob suspeita de matar uma mulher e a neta dela em Jataizinho (PR), entrou com uma ação judicial contra o Estado do Paraná pedindo R$ 500 mil por danos morais. O crime ocorreu em 22 de março de 2025 e teve grande repercussão no estado.
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Reginaldo foi preso quatro dias após as mortes, depois que uma imagem de câmera de segurança — interpretada pela investigação como mostrando ele passando perto da casa das vítimas no dia do crime — o apontou como suspeito. Ele só foi solto em 9 de maio, dois dias após o verdadeiro assassino, João Vitor Rodrigues, confessar o crime e se entregar.
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Antes mesmo de ser preso, Reginaldo foi espancado por moradores do bairro após as imagens circularem nas redes sociais. Ele teve a casa invadida e destruída, quebrou o maxilar e bateu a cabeça. Em entrevista, ele disse: "Destruíram [a casa]. Acabou a minha vida. Peguei até trauma daquele lugar. Estou até com medo da 'turma' chegar e bater em mim, lá". Ele também relatou ter sido agredido por policiais quando foi levado para exames médicos: "Falava que era inocente e aí que eles batiam mais".
A defesa de Reginaldo argumentou na ação que ele foi vítima de violência física, moral, institucional e existencial. "As autoridades locais, mesmo diante da fragilidade das investigações, se manifestaram publicamente de forma convicta, reforçando uma narrativa que jamais encontrou respaldo na realidade. [...] O olhar acusador dos vizinhos e o estigma da falsa imputação permanecem como feridas abertas até hoje", diz o texto.
Atualmente, Reginaldo vive em moradia provisória, não tem recursos financeiros e está com a saúde fragilizada, segundo a defesa, que considera o valor pedido "justo e adequado à gravidade do caso".
O Governo do Paraná afirmou, por meio da Procuradoria-Geral do Estado, que ainda não foi citado judicialmente e, portanto, não tem conhecimento formal do pedido. "A prisão foi feita no âmbito da investigação. Ele foi liberado assim que o autor confessou o crime", disse a nota.
Avó e neta foram mortas brutalmente; assassino deixou recado escrito com sangue na parede
Marley Gomes de Almeida e a neta dela, Ana Carolina Almeida, foram encontradas mortas dentro de casa pelo filho de Marley. Elas estavam deitadas na cama, com lenços amarrados no pescoço e cobertas por um edredom. Na parede, ao lado dos corpos, havia um recado escrito com sangue: "Deculpa mae" [sic].
Em 31 de janeiro de 2026, João Vitor Rodrigues foi condenado a 60 anos de prisão por duplo latrocínio (roubo seguido de morte) e fraude processual. Ele confessou que matou as vítimas com medo de ser reconhecido após ter invadido a casa e roubado R$ 100 da bolsa de Marley. João Vitor está preso desde maio de 2025.