Polícia indicia empresário por morte de trabalhador soterrado em grãos de milho no Paraná
Acidente ocorreu em abril, em Pitanga. Vítima de 43 anos caiu em fosso de sementes e morreu asfixiada

A Polícia Civil do Paraná concluiu o inquérito e indiciou, nesta segunda-feira (28), o dono de uma empresa cerealista por homicídio culposo — quando não há intenção de matar — pela morte de um trabalhador de 43 anos. O acidente ocorreu em 14 de abril deste ano, na cidade de Pitanga, na região central do estado, quando o funcionário morreu soterrado por grãos de milho em um fosso de sementes da propriedade. Os nomes do empresário, de 65 anos, e do estabelecimento não foram divulgados pelas autoridades.
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De acordo com o delegado William Gama Assunção, responsável pelas investigações, a tragédia foi resultado direto do descumprimento de normas básicas de segurança do trabalho. A perícia técnica constatou que o funcionário caiu de uma altura de aproximadamente 3,60 metros por uma abertura desprovida de guarda-corpo, tampa ou qualquer outra estrutura de proteção. Além da falha na infraestrutura, o trabalhador não utilizava equipamentos de segurança contra quedas e atuava sozinho no setor, sem nenhum tipo de vigilância ou supervisão. O laudo de necropsia confirmou que o óbito ocorreu por asfixia mecânica por soterramento dentro de um compartimento de máquinas usado no processamento e na secagem do milho.
Durante o inquérito, a equipe policial ouviu bombeiros militares e empregados da empresa, além de analisar minuciosamente os documentos trabalhistas. As diligências revelaram um agravante na conduta do empregador: a administração já havia sido alertada formalmente sobre os perigos do local. O próprio programa de gerenciamento de riscos da cerealista, em vigor desde novembro de 2025, classificava como crítico o risco de acidentes em espaços confinados para a função exercida pela vítima. O documento recomendava a instalação imediata de proteções físicas e a realização de treinamentos, porém, nenhuma dessas medidas foi adotada. Segundo o delegado, o risco não era apenas previsível, mas havia sido previsto e comunicado por escrito à empresa meses antes da fatalidade.
No dia do acidente, o sistema de monitoramento interno da empresa registrou a última aparição do trabalhador às 15h55. Após notarem o desaparecimento, os próprios proprietários iniciaram buscas pelo complexo e encontraram o funcionário já sem vida em meio aos grãos. As equipes de resgate foram acionadas na sequência para realizar a remoção do corpo após garantirem as condições de segurança do ambiente. Com a conclusão das investigações policiais, o inquérito foi oficialmente encaminhado ao Ministério Público do Paraná, que ficará responsável por analisar os autos e decidir se formalizará a denúncia criminal contra o empresário na Justiça.
