Polícia Civil faz megaoperação contra esquema bilionário de bets ilegais e bloqueia R$ 3,4 bilhões
Grupo usava empresas de fachada, como clínica e loja de tarô, para lavar dinheiro de apostas; fintech de São Paulo é um dos principais alvos da ação

Uma megaoperação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), com apoio de corporações de mais cinco estados, foi deflagrada nesta quinta-feira para desarticular um esquema bilionário de apostas ilegais e lavagem de dinheiro. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 3,48 bilhões em bens e ativos financeiros de 64 pessoas físicas e 120 empresas envolvidas na fraude. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Distrito Federal, São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte.
-LEIA MAIS: Mãe presa confessa que assassinou os dois filhos em Arapongas
As investigações apontam que o grupo movimentou cerca de R$ 739 milhões por meio de plataformas de apostas de quota fixa, as chamadas "bets", que atuavam sem autorização federal. Os principais alvos das buscas são uma fintech de São Paulo, autorizada pelo Banco Central, e duas empresas do mesmo grupo. Os nomes dos dirigentes não foram divulgados oficialmente. Para lavar o dinheiro, os pagamentos feitos via Pix pelos apostadores eram desviados para dezenas de empresas de fachada.
Entre os negócios falsos usados para mascarar o recebimento dos valores no Distrito Federal estavam uma clínica de assistência psicossocial, uma loja de tarô e outros estabelecimentos registrados em endereços de imóveis vazios nas regiões de Sobradinho e Ceilândia. O montante arrecadado era então redistribuído entre pessoas, instituições de pagamento e até convertido em criptomoedas. A fintech paulista investigada mantinha inúmeras contas dessas empresas fictícias e indicou uma movimentação de cerca de R$ 1 bilhão, motivo pelo qual o Banco Central já avaliava cancelar sua autorização de funcionamento.
A apuração, iniciada há cinco meses após alertas do Ministério da Fazenda, também mira três empresas que possuíam autorizações de loterias estaduais na Paraíba e no Rio de Janeiro. Essas permissões perderam a validade após as novas regras federais de setembro, mas as companhias entraram na mira da polícia devido a vínculos societários e movimentações financeiras suspeitas. Além dos bloqueios bilionários, o Juízo das Garantias de Sobradinho ordenou a suspensão de 100 CNPJs, a proibição de abertura de novas contas bancárias por 90 dias e a quebra de sigilo bancário e fiscal de 165 investigados.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os agentes apreenderam documentos, celulares e computadores com o objetivo de rastrear os recursos, identificar todos os responsáveis pelas plataformas e apurar o prejuízo causado aos apostadores. Os envolvidos poderão responder por exploração de loteria não autorizada, estelionato mediante fraude eletrônica, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa. Somadas, as penas podem alcançar 33 anos de prisão em caso de condenação.
