Perda de imóvel em leilão pode ter motivado crime em família em Curitiba, aponta delegado
Imagens de câmeras confirmam que não houve entrada de estranhos no apartamento após as 19h27 de domingo; Polícia Civil já ouviu 11 testemunhas

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) trabalha com a hipótese de que a perda do apartamento da família em um leilão judicial tenha sido a principal motivação para as mortes registradas no bairro Água Verde, em Curitiba. De acordo com o delegado Ivo Viana, a linha de investigação mais robusta aponta que Marcos Furuyama, de 58 anos, assassinou a esposa, a pediatra Claudia Hitomi Shimada Furuyama, de 57 anos, e o filho, Rafael, de 23 anos, cometendo suicídio na sequência. As apurações indicam que a esposa e o filho não tinham conhecimento de que o imóvel havia sido arrematado devido a um processo envolvendo uma construtora, que tramitava desde 2014.
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Segundo o delegado responsável pelo caso, Ivo Viana, a análise das câmeras de segurança do condomínio revelou que a última movimentação da família ocorreu no domingo, às 19h27. "A gente considera praticamente excluída a hipótese de uma quarta pessoa ter estado no local. Desde a última movimentação até o momento da abertura da porta, não visualizamos nenhuma entrada ou saída", afirmou o delegado. Ele ressaltou que a tese principal é de que o marido foi o autor do crime. "A possibilidade que ganha força, pelos elementos que indicam que ele tirou a própria vida, recai sobre o Marcos".
O estopim para a tragédia seria um processo judicial movido por uma construtora desde 2014, que culminou no leilão e na arrematação do apartamento onde a família vivia. De acordo com os depoimentos colhidos, Cláudia e Rafael não sabiam da situação. "Especificamente sobre o leilão, eles não tinham conhecimento. Não temos nenhum elemento que nos diga que a Cláudia ou o Rafael sabiam que o imóvel havia sido levado a leilão", explicou Viana. A dinâmica exata das mortes ainda depende de laudos periciais, mas a polícia identificou que duas das vítimas tinham cortes nas mãos, o que, segundo o delegado, pode configurar lesões de defesa ou de intervenção em uma eventual briga.
A descoberta do crime aconteceu após uma amiga de Claudia estranhar o sumiço da médica por cerca de três dias e acionar a Polícia Militar. Sem conseguir contato com os moradores, as autoridades precisaram chamar um chaveiro para acessar o apartamento trancado. A pediatra era servidora pública há mais de 20 anos em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, e sua morte gerou forte comoção entre pacientes e colegas de trabalho. Naturais do interior paulista, os membros da família serão sepultados na manhã desta sexta-feira (28) no Cemitério Jardim da Saudade, na cidade de Marília (SP).
