Operação do Gaeco mira facção no PR que dava drogas em troca de apoio a projeto de lei
Foram cumpridos 15 mandados no Paraná e em São Paulo; grupo criminoso tinha tabela onde um grama de entorpecente valia oito assinaturas

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, deflagrou nesta quarta-feira (28) a Operação Umbra II, que mira uma facção criminosa atuante no Norte do estado. Foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão. O esquema chamou a atenção dos investigadores por uma prática inusitada: a distribuição de drogas em troca de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular, que tinha como objetivo flexibilizar as regras de visitas íntimas e conjugais no sistema penitenciário.
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A tática, batizada internamente pela facção de "trabalho de revertimento", mobilizou responsáveis por pontos de tráfico em Londrina e região para atingir uma meta nacional de 290 mil assinaturas. Planilhas apreendidas pelo Gaeco revelaram que o grupo estabeleceu uma espécie de taxa de câmbio para a fraude, na qual cada grama de cocaína distribuído equivalia a oito assinaturas coletadas.
A estrutura regional da quadrilha, focada nos municípios do DDD 43, era comandada por dois irmãos. Um deles exercia a função de "Geral da Região 43", responsável por aplicar a disciplina, autorizar punições e repassar ordens da cúpula. O outro ocupava o posto de "Final 100% do Estado do Paraná", gerindo as finanças, o comércio de entorpecentes a partir da zona sul de Londrina e a compra de armas pesadas, como fuzis.
As investigações apontam que parte da liderança continuava operando o esquema de dentro de presídios do Paraná e de São Paulo. Utilizando celulares registrados em nome de terceiros, os detentos coordenavam a logística do tráfico, negociavam armamentos e gerenciavam o chamado "tribunal do crime".
As ordens judiciais desta quarta-feira, expedidas pelo Juízo das Garantias da 5ª Vara Criminal de Londrina, foram cumpridas em unidades prisionais e endereços ligados aos suspeitos nas cidades paranaenses de Londrina, Cambé, Cascavel e Piraquara, além de Avaré e Marília, no interior paulista. O objetivo das buscas foi apreender celulares, armas, dinheiro e documentos contábeis. Os alvos devem responder por favorecimento ao domínio social estruturado e tráfico de drogas.
Além do esquema de assinaturas e do tráfico, o Gaeco apura o envolvimento de dois investigados da facção em um duplo homicídio ocorrido em 2024, na cidade de Rolândia. Na ocasião, um suposto integrante de um grupo rival e uma criança foram mortos. Um dos suspeitos de participação neste crime fugiu para o Paraguai e é considerado foragido da Justiça.
