Mais de 40 policiais rodoviários do PR são afastados por esquema de propina via Pix
Investigações do MP revelam que agentes ofereciam internet do batalhão para motoristas transferirem valores e liberavam infratores mediante pagamento

Pelo menos 42 policiais militares do Paraná, a maioria lotada no Batalhão da Polícia Rodoviária Estadual (PRE), foram afastados de suas funções operacionais por suspeita de integrarem um esquema de corrupção envolvendo a cobrança de propinas nas rodovias do estado. As investigações, iniciadas em 2025 e conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná (MP-PR), revelam que os agentes chegavam a oferecer aos motoristas um QR Code para pagamento via Pix, além de disponibilizarem o sinal de wi-fi do próprio batalhão em trechos sem internet para garantir a transferência dos valores.
-LEIA MAIS: Ultrapassagem provoca acidente entre caminhonete e ônibus com estudantes na BR-376
Mensagens interceptadas pela investigação mostram situações de impunidade, como a de um motorista que avisou a um policial que pretendia ingerir bebida alcoólica antes de dirigir e perguntou quem estaria no trecho da fiscalização. O agente respondeu que seria ele mesmo e garantiu que o condutor poderia viajar sossegado. O esquema é apurado em duas frentes distintas: a operação Via Pix, focada na região dos Campos Gerais, e a operação Rota 466, concentrada nas estradas da região central do estado, em referência à rodovia que liga Guarapuava a Pitanga. Ao todo, 50 policiais são investigados. O MP-PR explicou que oito deles permanecem em atividade porque, no momento, o afastamento seria uma medida desproporcional frente aos elementos de prova disponíveis, situação que pode ser reavaliada com o avanço do caso.
Na etapa mais recente da operação Rota 466, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a 15 policiais militares e quatro civis em oito municípios paranaenses, incluindo Guarapuava, Ponta Grossa, Telêmaco Borba, Pitanga, Bituruna, Castro, Palmeira e Wenceslau Braz. Como resultado da ofensiva, os PMs investigados passaram a exercer funções exclusivamente administrativas e tiveram suas armas corporativas e particulares recolhidas. A ação também resultou na prisão de uma pessoa por posse irregular de arma de fogo e na apreensão de documentos, aparelhos celulares e eletrônicos com indícios de descaminho.
A análise dos materiais apreendidos pelo Gaeco revelou irregularidades que configuram supostos crimes de organização criminosa, corrupção passiva, concussão, falsidade ideológica e lavagem de ativos. As apurações apontam para a existência de acordos financeiros fixos e o fornecimento contínuo de combustíveis por transportadoras em troca da isenção de fiscalizações, fraudes na classificação de avarias veiculares em Boletins de Acidente de Trânsito Eletrônico Unificado (Bateu) e o direcionamento de serviços de guincho mediante pagamento indevido.
Os recursos ilícitos arrecadados nas rodovias eram movimentados e ocultados por meio de transferências bancárias para contas de terceiros, o que incluía familiares dos agentes públicos e empresas dos setores de transporte e guincho atuando como intermediárias. Em nota oficial, a Polícia Militar do Paraná informou que sua Corregedoria atua de forma conjunta com o Gaeco no cumprimento dos mandados judiciais, reafirmando seu compromisso irrestrito com a legalidade, a moralidade, a transparência e a punição de condutas indevidas praticadas por seus integrantes.
