Laudo aponta presença de fenol em roupas de piloto morto após 'banho de óleo' no Paraná
Substância corrosiva causou edema nas vias aéreas e paradas cardiorrespiratórias no aluno

A Polícia Científica do Paraná identificou a presença de fenol, uma substância química altamente tóxica e corrosiva, nas roupas do piloto e engenheiro Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, que morreu após ser submetido a um "banho de óleo" em uma escola de aviação de Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais. O caso ocorreu no dia 16 de julho, durante um ritual tradicional que celebrava o primeiro voo solo do aluno. A Polícia Civil deve concluir o inquérito nesta segunda-feira (21) para apontar as responsabilidades e definir se houve crime durante a cerimônia.
- LEIA MAIS: Buscas por jovem empresário no Rio Tibagi chegam ao 14º dia em Uvaia
O laudo pericial detalha que as roupas da vítima estavam completamente embebidas pelo produto e que as lesões constatadas na necropsia são compatíveis com a exposição ao fenol. A causa da morte de Gustavo foi asfixia mecânica por edema nas vias aéreas, caracterizada por um inchaço na garganta gerado por reação alérgica à substância química.
Além da asfixia, o corpo apresentava diversas queimaduras químicas no rosto, nas coxas e no abdômen. Logo após ter o produto jogado em seu corpo por um instrutor da escola, o piloto apresentou dificuldade para respirar, crise convulsiva e sofreu três paradas cardiorrespiratórias. O instrutor responsável foi preso em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas pagou fiança de três mil reais e responde ao processo em liberdade.
Apesar de a perícia ter confirmado o contato com o fenol, os exames revelaram uma divergência nas amostras recolhidas, o que adiciona complexidade à reta final da investigação. O laudo aponta que o fenol encontrado nas roupas de Gustavo estava dissolvido em água, enquanto o líquido apreendido na garrafa durante a apuração do caso apresentava a substância misturada a hidrocarbonetos, derivados de petróleo.
📲Entre no nosso canal de notícias do WhatsApp do TN
Essa incompatibilidade química impede os peritos de determinarem a origem exata do fenol que atingiu o piloto ou se houve alguma adulteração proposital no material. Agora, a conclusão do inquérito policial busca esclarecer quem colocou o produto no corpo do engenheiro e por que há diferença na composição dos líquidos, encerrando as lacunas do caso.
