Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--
Paraná
publicidade
ELEIÇÕES

Jessicão orienta seguidores a dispensar trabalhadores e romper relações com eleitores de Lula

Vereadora de Londrina eleita para a Assembleia Legislativa sugeriu retaliação a prestadores e empregados domésticos

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

Jessicão orienta seguidores a dispensar trabalhadores e romper relações com eleitores de Lula
Autor A conduta incentivada pela parlamentar viola a legislação trabalhista brasileira - Foto: Devanir Parra/Câmara Municipal de Londrina

A vereadora de Londrina (PR) e deputada estadual eleita Jessica Ramos Moreno (PL), conhecida como Jessicão, utilizou sua conta no X após a apuração do segundo turno das eleições presidenciais para pedir a seus seguidores que demitam trabalhadores e rompam relações com prestadores de serviço e amigos que votaram em Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na publicação, a parlamentar afirmou que empregadores devem afastar funcionários petistas e trocar de prestadores, mencionando barbeiros e empregadas domésticas sob a justificativa de que o voto no petista prejudica negócios e famílias.

-LEIA MAIS: Tumulto pós-eleição termina com três pessoas detidas pela PM no centro de Apucarana

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

A conduta incentivada pela parlamentar viola a legislação trabalhista brasileira, embora não constitua infração penal, segundo avaliam especialistas em Direito. O advogado criminalista Marcelo Colen explica que, como a dispensa motivada por escolha política não é classificada como crime pela legislação penal, a publicação não configura o delito de incitação ao crime, mas estimula uma prática ilegal no âmbito cível e trabalhista. Para o jurista, o empregador que demite um funcionário em razão de suas convicções políticas comete dispensa discriminatória, sujeitando-se a reparações financeiras ou à reintegração do colaborador aos quadros da empresa.



							Jessicão orienta seguidores a dispensar trabalhadores e romper relações com eleitores de Lula
AutorFoto: X


CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Embora não esteja sujeita a sanções criminais pela manifestação, Jessicão pode enfrentar consequências jurídicas e políticas. Segundo Colen, a parlamentar pode virar alvo de ações civis públicas por dano moral coletivo movidas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), pela Defensoria Pública ou por sindicatos, uma vez que a imunidade material dos vereadores protege falas vinculadas ao exercício do mandato municipal e dificilmente se estende ao incentivo de práticas discriminatórias. No campo legislativo, a atitude abre margem para representações por quebra de decoro parlamentar na Câmara Municipal de Londrina, o que teoricamente pode levar à perda do mandato local, embora sua diplomação e posse na Assembleia Legislativa do Paraná permaneçam preservadas.

📲Entre no nosso canal de notícias do WhatsApp do TN

No ambiente de trabalho, a Constituição e a Lei Federal 9.029/1995 garantem a proteção contra demissões pautadas por opiniões políticas ou ideológicas. A advogada trabalhista Jade Almeida destaca que patrões flagrados punindo colaboradores pelo resultado das urnas podem ser condenados na Justiça do Trabalho, cabendo ao empregado optar entre a reintegração com remuneração integral do período de afastamento ou a indenização substitutiva correspondente ao dobro desses valores, além de eventuais danos morais. A especialista adverte que trabalhadores nessa situação devem reunir comprovações objetivas, como mensagens de texto, registros de áudio, capturas de tela e testemunhas, evitando assinar qualquer pedido voluntário de demissão.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Eleita deputada estadual com 131.673 votos — a maior votação registrada para a Assembleia Legislativa do Paraná neste pleito —, Jessicão exerce atualmente seu segundo mandato na Câmara de Londrina, onde ganhou notoriedade defendendo pautas conservadoras, como a proibição da linguagem neutra em escolas e o fim da exigência de máscaras durante a pandemia. A vereadora chegou a responder ao contato inicial da reportagem, mas não enviou respostas formais aos questionamentos, enquanto o Ministério Público do Trabalho no Paraná ainda não havia emitido manifestação sobre eventuais procedimentos investigativos até a publicação deste texto.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Paraná

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV