Homem usa drone para espionar e depois chantagear vizinhos no PR
Aparelho sobrevoava condomínio há dois meses e focava no interior dos apartamentos
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Um homem foi detido em Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná, após moradores de um condomínio rastrearem um drone utilizado para espionar os apartamentos há cerca de dois meses. O suspeito foi localizado pela Polícia Militar (PM) escondido na área da caixa d’água de um prédio vizinho. Enquadrado por crime de menor potencial ofensivo, ele assinou um termo circunstanciado e foi liberado na sequência, mas o equipamento foi apreendido para perícia. A identidade do homem não foi divulgada.
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A presença do drone gerava revolta e apreensão entre os condôminos, especialmente por conta de voos rasantes realizados no período noturno. Moradores relataram que o aparelho costumava ficar pairando a cerca de dois metros das janelas, com a câmera direcionada para o interior das residências, incluindo a área dos banheiros. A gravidade do caso aumentou quando uma moradora procurou as autoridades relatando ser vítima de perseguição e chantagem. Segundo a PM, a mulher informou que o operador a contatou pelas redes sociais afirmando que a acompanhava e possuía imagens gravadas pelo equipamento.
Cansados da importunação, que se tornou diária nas últimas semanas, os próprios moradores passaram a monitorar a rota do drone até descobrirem o seu local de pouso e acionarem a polícia. As equipes de segurança identificaram o apartamento de onde a máquina era operada, mas o suspeito já havia deixado o imóvel. Durante as buscas no condomínio, ele foi encontrado tentando se abrigar no forro do edifício.
Em nota, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) explicou que o ato de produzir ou registrar imagens de nudez sem autorização prevê pena máxima de um ano, permitindo a liberação do suspeito após o registro do termo circunstanciado. Os equipamentos apreendidos passarão por análise técnica para confirmar se houve, de fato, a gravação dos moradores.
O uso desse tipo de equipamento é regulamentado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que proíbe a aproximação de drones a menos de 30 metros de pessoas sem a devida autorização. A legislação também veda o registro de imagens de propriedades privadas sem consentimento, o que configura invasão de privacidade. Além das regras de distanciamento, a operação exige que o piloto seja maior de idade e, dependendo do porte do aparelho, possua registro e autorização de voo.