Frota de carros de coleção cresce 63% em um ano nos municípios da região
Segundo dados do Detran-PR, a frota de veículos de coleção passou de 212 para 345 entre maio de 2025 e maio de 2026
TNOnline TV
Os carros antigos, facilmente reconhecidos pelas famosas e chamativas placas pretas, estão cada vez mais presentes nas ruas da região. De acordo com dados do Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), a frota de veículos de coleção com mais de 30 anos no Vale do Ivaí (juntamente com as cidades de Sabáudia e Arapongas) cresceu aproximadamente 63% em um ano, passando de 212, em maio de 2025, para 345, em maio de 2026. Em Apucarana, o número saltou de 75 para 127 veículos, enquanto em Arapongas passou de 68 para 121.
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A paixão que vem da infância
Para o mecânico apucaranense José Carlos Mendes, de 49 anos, a paixão por carros antigos nasceu ainda na infância. De lá para cá, já passaram por suas mãos um Fusca 1979 e um Gol BX 1984. Atualmente, ele é proprietário de outro Fusca, desta vez um modelo 1967, que carrega um significado especial. “O carro que tenho hoje é idêntico ao primeiro carro do meu pai. Quando éramos crianças, adorávamos passear com ele”, contou. Para realizar o sonho, José Carlos viajou até Siqueira Campos, a cerca de 250 quilômetros de Apucarana, para buscar o veículo. “Ele veio rodando à noite, foi uma aventura”, relembrou.

Assim como José Carlos, o farmacêutico Rafael Ferdinandi, 40 anos, de Arapongas, também cultiva a paixão pelos veículos antigos desde criança. Embora já tenha sido proprietário de diversos modelos clássicos, a Chevrolet C10 1974 é o primeiro automóvel de sua coleção a ostentar a cobiçada placa preta.
Segundo Rafael, a caminhonete era um sonho antigo. Depois de vender uma Chevrolet C14, passou a procurar uma C10 até encontrar o modelo ideal em Jaraguá do Sul (SC), a cerca de 600 quilômetros de Arapongas. “Fomos até lá, vimos que o carro era legal, fechamos negócio e voltei com ela. Viemos curtindo. A gente viu na estrada as reações das pessoas, olhando, buzinando. Muitas vezes, elas olham o carro e lembram do passado, de quando tiveram uma para trabalhar. Ela era uma ferramenta de trabalho, mas hoje ela se tornou um bem de colecionador”, explicou.
Há cerca de seis meses com o veículo, Rafael contou que a Lata-Velha, nome dado à caminhonete pela sua filha e também pela sobrinha, o conquistou, principalmente, por dois motivos: a robustez, já que possui um motor seis cilindros “muito forte e confiável” e ainda pela sua identidade. “Ele tem uma história. Você olha para ele e fica pensando, ‘nossa, o que isso aqui já não viveu? O que isso aqui já não passou? Quantas pessoas já não carregou aqui? O que já aconteceu com esse veículo na vida dele?’”, acrescentou.

O processo de certificação
Vários fatores podem ajudar a explicar o aumento no número de carros de coleção na frota paranaense. Um deles é a descentralização e facilitação do processo burocrático. José Carlos explicou que, atualmente, não é mais necessário recorrer aos grandes centros para conseguir atestar a originalidade do automóvel. "O acesso está mais fácil. Hoje em dia, temos clubes credenciados na região, o que facilita pra quem tem um veículo em condições. Antigamente, era preciso fazer contato com clubes das grandes capitais pra realizar a vistoria", disse.
Para que um carro obtenha o status oficial de coleção, ele deve ter sido fabricado há mais de 30 anos e ter pelo menos 80% de originalidade. Além disso, também é necessário possuir condições de circular e o Certificado de Veículo de Coleção (CVCOL). José Carlos, por exemplo, certificou seu Fusca com 93 pontos de originalidade. “Quando eu comprei ainda não tinha placa preta. Em um encontro de carros antigos, um amigo chamou o representante da certificação pra ver o carro e ele disse que pelas condições tinha grandes chances de ser aprovado. Aí, dei andamento na solicitação e deu certo. O agente deve ser de clube de antigos credenciado e a certificação é emitida pela Secretaria Nacional de Trânsito", afirmou.
Desafios e aventuras na estrada
Apesar da beleza estética e do valor histórico, manter um veículo clássico exige dedicação e paciência. José Carlos apontou que o maior desafio é "conseguir peças pra reposição. Alguns modelos são muito raros e é preciso, às vezes, importar peças de outros países". Já Rafael disse que, embora a manutenção de sua caminhonete seja baixa pela falta de tecnologia eletrônica, deixar o carro "nesse nível" de coleção é algo que exige investimento.
O esforço, segundo Rafael, é recompensado nos passeios com a família, nas amizades feitas pelo caminho e também nos encontros de carros antigos na região. “Eu mesmo tenho o prazer de pegar minha família e ir em um encontro de carro antigo. Lá tem uma bandinha de rock para você curtir, tem outros amigos, tem pessoas novas que você vai estar conhecendo lá do meio, tem um círculo social que é muito grande", concluiu, revelando ainda que pretende colocar a caminhonete Lata-Velha na estrada em janeiro, rumo ao Uruguai.



