Falta de vagas em cemitérios deixa seis corpos em câmaras frias em Foz do Iguaçu
Concessionária afirma ter alertado sobre superlotação e falha em exumações, enquanto poder público diz haver potencial para centenas de novos jazigos

A superlotação dos cemitérios públicos de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, gerou uma crise sanitária e administrativa na cidade. Atualmente, seis corpos de pessoas não identificadas aguardam sepultamento e precisam ser mantidos em câmaras frias, sendo cinco no Hospital Municipal Padre Germano Lauck, que já está com mais da metade de sua capacidade ocupada, e um sob responsabilidade da Polícia Científica. O impasse ocorre em meio a uma disputa judicial entre a prefeitura e a Camis, concessionária responsável pela administração de cinco cemitérios municipais.
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Diante da gravidade e do risco sanitário iminente, a Justiça determinou que o município apresente um plano de ação emergencial no prazo de cinco dias. Paralelamente, a prefeitura instaurou um processo administrativo contra a empresa após alertas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente sobre possíveis descumprimentos de obrigações contratuais. A concessionária recebeu prazo de cinco dias para apresentar sua defesa, que será analisada para a eventual aplicação de penalidades pelo gabinete do prefeito.
A Camis classifica as acusações da prefeitura como falaciosas e afirma que já havia alertado o poder público sobre o esgotamento das vagas gratuitas. Na tentativa de liberar espaço, a empresa abriu dez jazigos no Cemitério Municipal Parque Nacional nos últimos dois meses, mas apenas uma exumação foi possível, já que nos demais casos os corpos ainda estavam íntegros. A concessionária promete liberar mais 14 espaços ainda em setembro, sem data definida, e ressalta que a média mensal de sepultamentos sociais na cidade tem sido de 19 neste ano.
Em contraponto, a gestão municipal argumenta nos autos do processo que há alternativas para ampliar a capacidade dos cemitérios. Vistorias técnicas indicaram a possibilidade de abertura de cerca de 50 novas vagas a curto prazo, mediante a execução de algumas etapas. O município cita ainda estudos que apontam potencial para mais de 540 espaços divididos entre os cemitérios Jardim São Paulo, Três Lagoas e o setor islâmico, além do estudo para expansão de uma nova área com capacidade para nove mil jazigos. A Camis confirma ter licença ambiental para as obras de ampliação no Jardim São Paulo, mas condiciona os novos investimentos à renovação do contrato de concessão, assinado originalmente em 2008.
Com informações G1 Paraná
