CRM se manifesta e repudia ataques de alunos de medicina a bolsistas no Paraná
Órgão de classe afirmou que atitudes ferem o código de ética. UniCesumar aplicou expulsões, suspensões e advertências

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) se manifestou publicamente para repudiar as mensagens preconceituosas e as referências ao nazismo compartilhadas por estudantes de medicina da UniCesumar, em Maringá, no Norte do Estado. Em nota, o órgão de classe classificou o episódio como uma violação direta aos princípios fundamentais do Código de Ética do Estudante de Medicina, que exige respeito e atuação sem discriminação de qualquer natureza. O conselho garantiu que adotará as providências cabíveis no âmbito de suas atribuições e acompanhará os desdobramentos. A declaração do CRM ocorre em meio à confirmação, por parte da universidade, de que os alunos envolvidos nos ataques foram expulsos, suspensos ou advertidos.
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As sanções disciplinares foram aplicadas na última sexta-feira (30), logo após a conclusão de uma sindicância interna da instituição de ensino superior. A UniCesumar optou por não divulgar a quantidade exata de discentes penalizados, mas explicou que as punições foram distribuídas de acordo com a gravidade de cada conduta. A universidade reforçou que os ataques ocorreram em um grupo de WhatsApp sem vínculo institucional, repudiou os atos discriminatórios e informou que o Núcleo de Apoio ao Estudante de Medicina (NAEME) está prestando suporte e acolhimento aos universitários afetados pelo episódio.
As ofensas que motivaram a intervenção do CRM e as expulsões aconteceram logo após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais. Nas conversas expostas nas redes sociais, um dos estudantes tentou desmerecer os colegas bolsistas comparando os alunos que arcam com mensalidades na faixa dos R$ 15 mil com aqueles que ingressaram por programas sociais. Além do teor elitista, o grupo foi palco para o compartilhamento de imagens de soldados nazistas e o uso do termo "leite cru", jargão utilizado na internet por grupos que defendem a supremacia branca. A gravidade das declarações gerou um clima de hostilidade no campus e fez com que o caso fosse levado também ao Ministério Público Federal (MPF), que confirmou o recebimento das denúncias e já iniciou as apurações.
