Copel troca mais de 2 mil postes e seis torres após pior setembro climático das últimas décadas
Mais de 3 mil profissionais atuaram no restabelecimento do fornecimento de luz e na substituição de 113 km de cabeamento.

O Paraná enfrentou o pior mês de setembro das últimas décadas do ponto de vista climático, impulsionado pelos efeitos do fenômeno Super El Niño, o que exigiu um esforço inédito da Copel para recompor o sistema de energia. seis torres de alta tensão e 113 quilômetros de cabeamento rompido, além de efetuar a troca de diversos equipamentos avariados. Os episódios são resultado direto do fenômeno conhecido como Super El Niño, que provoca o aquecimento anormal e intenso das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, alterando a circulação atmosférica e os padrões de chuvas em todo o planeta.
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Diante do cenário adverso, a diretoria da companhia destacou a necessidade de prontidão contínua para lidar com as intempéries. “Estamos enfrentando uma situação climática inédita e temos que estar preparados para isso. A Copel conta com equipes preparadas e um plano de contingência bem estruturado para atuação no antes, durante e depois dos eventos climáticos”, afirma o diretor-geral da Copel Distribuição, Denis Mollica.
Durante o mês, foram registradas rajadas de vento superiores a 100 km/h, queda de granizo, volume recorde de chuva e a confirmação de três tornados pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Para mitigar os estragos, o diretor de Operações e Manutenção da Copel Distribuição, Gustavo Theodor Carvalho, ressalta o uso de tecnologia e parceria estratégica na preparação dos trabalhos.
“Temos uma parceria de longo prazo com o Simepar e aplicamos a inovação para traduzir as variáveis meteorológicas, como volume de precipitação, rajadas de vento, e descargas atmosféricas previstas para definir a estratégia operacional. Isso nos permite mobilizar e deslocar recursos e equipes antecipadamente para agilizar os processos de restabelecimento de energia”, observa.
O maior pico de interrupções no fornecimento ocorreu no dia 22 de setembro, atingindo 257,9 mil imóveis em todas as regiões do estado. Na ocasião, a Copel mobilizou 2,7 mil profissionais divididos em 1.187 equipes simultâneas, realizando a troca de 421 postes, 23 quilômetros de redes de média tensão e duas torres de alta tensão de 138 mil Volts. Outros episódios críticos foram registrados em 28 de setembro, afetando 257,7 mil unidades consumidoras, no dia 10 de setembro, com danos extensos em todo o estado, e no dia 1º de setembro, que mobilizou quase 3 mil trabalhadores para religar 102 mil imóveis. As seis torres destruídas no mês estavam localizadas nas regiões Noroeste, Sudoeste, Vale do Ivaí e Campos Gerais.

A atuação das equipes de campo enfrentou severas complicações logísticas causadas pelos próprios temporais. O superintendente de Construção e Manutenção de Redes da Copel, Paulo Valadão, considera que os principais desafios no trabalho de campo enfrentados em setembro estiveram na frequência dos eventos climáticos em um curto espaço de tempo e em danos que causam em estradas e nos acessos das equipes.
“Foram eventos recorrentes, acompanhados de muita chuva, o que gerou desafios para nossas equipes de obras em relação aos acessos. Muitos defeitos foram identificados em área rural, derivados de rajadas de vento que derrubaram postes e árvores sobre a rede. São locais de difícil acesso, onde é necessário utilizar tratores para puxar os caminhões para que as equipes possam reconstruir a rede elétrica”, observa.
Apesar das dificuldades enfrentadas ao longo de todo o mês, Valadão reforça o compromisso da empresa com a continuidade dos serviços. “Mesmo frente a todos esses desafios, estamos colocando à prova nosso poder de resposta rápida. Contamos com um planejamento eficaz e o acompanhamento pelo centro de operações. Estamos preparados para os próximos desafios com nossas equipes totalmente engajadas para atender a todos os clientes com qualidade e segurança”, reitera o superintendente.
De acordo com o Simepar, o volume de chuvas registrado em setembro alcançou marcas históricas em estações meteorológicas instaladas há 29 anos, como em Cambará, Cerro Azul, Ponta Grossa e Telêmaco Borba, enquanto Curitiba atingiu 339,4 mm, acumulado próximo ao maior valor já medido. A ventania acima de 100 km/h atingiu diversas regiões em semanas consecutivas, alcançando 124,9 km/h em Apucarana e provocando estragos severos em Umuarama e Paranavaí. No Vale do Ribeira, chuvas intensas deixaram municípios isolados e exigiram seis dias de trabalho contínuo de mais de 300 profissionais para instalar 196 novos postes e recuperar 14,6 mil metros de cabos. Além dos vendavais, o Simepar confirmou a passagem de tornados nos municípios de Francisco Alves, Espigão Alto do Iguaçu e Goioerê.

