Companheira do Cavalo Caramelo, égua tem melhora clínica e avança em adaptação para reprodução
Animal de seis anos chegou ao hospital veterinário em setembro e passa por acompanhamento antes da aproximação definitiva

Um mês após desembarcar no Hospital Veterinário da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas (RS), a égua "Hora Extra" apresenta sinais positivos de adaptação para se tornar a companheira do Cavalo Caramelo, símbolo de resistência das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul. A fêmea de seis anos registrou ganho de peso, melhora nos exames de sangue e já começou a manifestar os primeiros sinais de cio, preparando-se para o futuro cruzamento com o garanhão resgatado.
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De acordo com a médica veterinária e diretora da unidade, Laura Martins Cezimbra, a égua chegou à instituição com um quadro leve de anemia, pois vivia solta no campo e estava magra. Após receber alimentação complementar, os índices sanguíneos superaram a referência mínima e o estado de saúde é considerado excelente. A equipe agora monitora o sistema reprodutivo do animal por meio de ultrassonografias para avaliar os folículos e acompanhar a ovulação. A especialista ressalta que, embora a égua já apresente comportamento de cio, os folículos ainda não estão viáveis para uma gestação, impossibilitando o emprenhamento neste momento. A equipe aguarda o desenvolvimento natural, mas não descarta a indução da ovulação quando o organismo do animal estiver pronto.
Enquanto a aproximação com Caramelo não acontece, Hora Extra deixou de ficar isolada. Para respeitar o comportamento gregário da espécie, ela passou a dividir o piquete durante o dia com Loirinho, um cavalo castrado, o que garante a convivência sem riscos de reprodução indesejada. O Cavalo Caramelo, que tem cerca de 11 anos e não é castrado, permanece no espaço vizinho, aguardando a evolução reprodutiva da companheira para que o contato direto seja liberado.
Doada por uma propriedade rural de São Sebastião do Caí, a égua chegou à Ulbra no dia 9 de setembro. O nome "Hora Extra" é uma brincadeira com o fato de o animal ter nascido cerca de 10 dias após o período médio de gestação de 360 dias, aliado à regra do meio equestre em que todos os nascimentos daquele ano deveriam ser batizados com palavras iniciadas com a letra "H". Ela foi selecionada para o projeto por ter um perfil dócil, não possuir histórico prévio de reprodução e ser apta a participar de atividades práticas do curso de Medicina Veterinária da instituição.
A ideia de permitir que o Cavalo Caramelo tenha um filhote não tem fins de preservação genética, mas sim um apelo social. A iniciativa surgiu do forte vínculo afetivo criado entre o animal e o público que acompanhou seu resgate dramático de cima de um telhado no dia 9 de maio. Para a universidade, o projeto responde ao interesse contínuo dos seguidores, prolongando a mensagem de resistência, esperança e superação que o cavalo passou a representar para os brasileiros após a tragédia climática gaúcha.
