Cheia obriga remoção de grades nas Cataratas do Iguaçu e impacta Usina de Itaipu no PR
Usina abriu a calha central do seu vertedouro, somando duas calhas em operação para dar vazão à água excedente

A forte elevação no nível do Rio Iguaçu, no oeste do Paraná, provocou alterações preventivas nas Cataratas do Iguaçu e na Usina Hidrelétrica de Itaipu nesta terça-feira (13). Devido ao aumento contínuo do volume hídrico, equipes de segurança do Parque Nacional do Iguaçu deram início à remoção das grades de proteção da passarela das quedas, procedimento que não era adotado desde 2023. Paralelamente, na Usina Binacional de Itaipu, os operadores acionaram a segunda calha do vertedouro para gerenciar o escoamento do reservatório de forma controlada.
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Nas Cataratas, a vazão atingiu a marca de 11,2 milhões de litros de água por segundo no final da manhã, número cerca de sete vezes superior à média histórica do local, que é de 1,5 milhão de litros por segundo. A projeção da concessionária Urbia+Cataratas indica que o volume pode chegar a 13 milhões de litros por segundo. Como a passarela já estava interditada desde domingo (11), a retirada das grades busca facilitar a passagem de galhos e troncos trazidos pela correnteza, aliviando a pressão sobre a estrutura física. O protocolo de segurança prevê o fechamento do acesso quando o volume ultrapassa 8,5 milhões de litros por segundo e a reabertura condicionada à redução do nível da água e a avaliações técnicas de engenharia.
Apesar da restrição na passarela principal, o Parque Nacional do Iguaçu permanece aberto ao público, garantindo a visualização das quedas a partir da Trilha das Cataratas. Outros atrativos internos, no entanto, foram temporariamente fechados como medida de precaução, incluindo o Mirante inferior do Espaço Naipi, os circuitos São João e Espaço Usina — de onde móveis e equipamentos foram retirados —, o Caminho do Poço Preto e a Trilha da Canafístula. Já o Caminho das Bananeiras segue indisponível por conta de obras. A administração do parque e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) seguem em monitoramento contínuo das áreas afetadas.

Simultaneamente, a Itaipu Binacional abriu a calha central do seu vertedouro, somando duas calhas em operação para dar vazão à água excedente. A vazão registrada na usina durante a manhã foi de 10,7 milhões de litros de água por segundo, o que representa 17,2% da capacidade máxima operacional do sistema. A empresa esclareceu que o acionamento da nova calha atende aos manuais operacionais de engenharia e não agrava as inundações nas comunidades vizinhas, uma vez que o aumento do volume vertido permaneceu estável. Por meio do controle de seu reservatório, a hidrelétrica atua diretamente no amortecimento da cheia, regulando o escoamento do Rio Paraná a jusante da barragem.
MONITORAMENTO

A Comissão Especial de Cheias da Itaipu Binacional mantém o monitoramento permanente dos rios Paraná e Iguaçu, cujos níveis vêm subindo rapidamente em decorrência das fortes chuvas na região. Na tarde desta segunda-feira (12), o rio Paraná atingiu a cota de 116,13 metros acima do nível do mar na estação de medição da Ponte da Amizade.
No lado brasileiro, a cheia já atingiu o Porto de Areia, no bairro Porto Meira, em Foz do Iguaçu. As residências da região começam a ser afetadas quando o rio alcança a cota de 119 metros acima do nível do mar. Até o momento, as previsões não indicam que o nível chegue a esse patamar.
A Defesa Civil acompanha a situação há vários dias e intensificou o monitoramento dos níveis dos rios. O órgão também orienta empresas e moradores de áreas ribeirinhas a adotarem medidas preventivas e, se necessário, deixarem antecipadamente os locais sujeitos a alagamentos e inundações.
No lado paraguaio, a Assessoria de Responsabilidade Social da Itaipu, responsável pela coordenação dos trabalhos de evacuação, já prestou assistência a mais de 100 famílias do bairro San Rafael afetadas pelas inundações. As equipes continuam auxiliando na retirada de pertences e no transporte de moradores para locais seguros, com o apoio das Forças Armadas, da Marinha Nacional, da Secretaria de Emergência Nacional (SEN), de voluntários e de integrantes da comunidade.
