Celulares por até R$ 80 mil: agentes são presos por esquema em presídio no Paraná
Oito pessoas foram detidas na ação; líder do esquema criminoso cumpre pena de mais de 80 anos e coordenava as ações de dentro da cadeia

Três agentes terceirizados da Polícia Penal do Paraná (PP-PR) foram presos nesta quarta-feira (20) suspeitos de facilitar a entrada de drogas e telefones celulares na Casa de Custódia de São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (PR). Segundo as investigações, o grupo cobrava em média R$ 50 mil por aparelho introduzido na unidade prisional, havendo registro de um pagamento que chegou a R$ 80 mil por um único telefone.
LEIA MAIS: Cliente assassinado por advogado em Maringá é identificado
Ao todo, a operação conjunta entre a Polícia Civil e a Polícia Penal resultou na prisão de oito pessoas, cujos nomes não foram divulgados. Além dos três servidores, foram detidos outros cinco suspeitos de integrar o esquema, incluindo presos do sistema penitenciário e comparsas que atuavam do lado de fora das unidades. A ação cumpriu nove mandados de prisão preventiva, nove de busca e apreensão e 12 ordens de sequestro de bens em cidades da Grande Curitiba e em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Durante as buscas, as equipes apreenderam coletes balísticos, rádios comunicadores e uma arma de fogo.
As apurações tiveram início no final de 2024, a partir da apreensão de um celular dentro da Casa de Custódia. A perícia no aparelho revelou trocas de mensagens e áudios que detalhavam a negociação ilícita. Em uma das gravações interceptadas pela polícia, um dos investigados fala sobre a cobrança e a exigência de acessórios para liberar os valores do suborno: "Por que aqueles aparelhos que você trouxe eu já vendi eles, entendeu? Mas os caras não querem me pagar enquanto não chegar o carregador ali, entendeu? As coisas, fone, do ouvido, tudo. Chegando o carregador, fone, tudo ali, eu pego e bato em pronto o dinheiro que eu tenho na mão deles ali, entendeu? Os caras é chato, os caras gosta do negócio tudo certinho".
O esquema era liderado de dentro da cadeia por um detento condenado a mais de 80 anos por tráfico internacional de drogas, contando ainda com o apoio da esposa de um dos investigados, que auxiliava nas transações financeiras do grupo. Os agentes investigados ostentavam um padrão de vida totalmente incompatível com a remuneração oficial, evidenciando a atuação de uma organização criminosa estruturada.
Os três servidores já haviam sido afastados de suas funções anteriormente. Eles podem responder na Justiça pelos crimes de corrupção ativa e passiva, inserção de aparelho celular em estabelecimento prisional, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
