Caso Gassí Mazia: o que se sabe sobre o assassinato da médica em Maringá
Filho de oito meses foi resgatado por parentes após choro alertar sobre a tragédia; polícia apura a origem de 17 ferimentos no acusado

A investigação sobre o assassinato da médica Gassí Paola de Souza Mazia, de 37 anos, morta a facadas no último sábado (5) em Maringá, aponta o próprio marido como autor do crime e reconstitui os passos que se seguiram à tragédia. O suspeito, o advogado João Vitor Domingues Romeiro, de 25 anos, confessou o assassinato, foi preso e permanece internado sob escolta policial. O corpo da médica foi sepultado na manhã desta segunda-feira (7) no Cemitério Municipal de Maringá.
- LEIA MAIS: Advogado suspeito de matar médica no Paraná fugiu e deixou o filho bebê na cena do crime
O crime ocorreu em um apartamento no 11º andar de um condomínio na Zona 2. Conforme o levantamento inicial da Polícia Civil, após esfaquear a esposa, o advogado dirigiu até a casa da mãe dele, no município vizinho de Mandaguari, e relatou o ato. Em estado de choque, a mãe do suspeito avisou familiares em Maringá, pedindo que fossem ao apartamento verificar o estado da médica.
Ao chegarem à porta do imóvel, os parentes não obtiveram resposta aos chamados, mas ouviram o choro contínuo do bebê do casal, de cerca de oito meses. Eles arrombaram a porta e encontraram a médica morta em um dos quartos, cercada por uma grande quantidade de sangue. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) compareceu ao local e confirmou o óbito, enquanto o bebê foi resgatado sem ferimentos físicos.
Enquanto as equipes isolavam a cena do crime, a Polícia Militar localizou João Vitor em Mandaguari. O homem apresentava cerca de 17 perfurações de faca pelo corpo e confessou o homicídio ao receber voz de prisão. Ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital Universitário de Maringá sob escolta. A perícia técnica apura se as lesões no suspeito resultaram de uma tentativa de autoflagelo ou de reação de defesa por parte da vítima. O veículo utilizado na fuga foi apreendido para exames periciais.
Depoimentos colhidos com familiares indicam que o casal vivia um relacionamento instável, marcado por términos e uma reconciliação recente. Vizinhos do prédio declararam não ter ouvido discussões ou pedidos de socorro no horário estimado do crime.
A tragédia gerou manifestações oficiais na região. Gassí atuava no atendimento à comunidade na Unidade Básica de Saúde Nova Aliança, e a Prefeitura de Sarandi emitiu nota destacando a relevante contribuição da profissional para a saúde pública do município. Já a Prefeitura de Marialva, onde o suspeito atuava como assessor jurídico, lamentou o ocorrido e confirmou a exoneração imediata de João Vitor. A Polícia Civil aguarda a alta médica do acusado para realizar o interrogatório formal e dar prosseguimento ao inquérito de feminicídio.
